Mercado se agitou em Londres e NY com boato sobre Palocci

Boatos sobre uma eventual renúncia ou demissão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, circularam hoje no mercado financeiro de Londres, conforme informou a AE-Broadcast, produto da Agência Estado voltado para o mercado financeiro. Vários gestores de fundos e estrategistas de bancos europeus e norte-americanos disseram ao repórter da AE-Broadcast em Londres, João Caminoto, terem recebido telefonemas de clientes preocupados com esses rumores. ?Esses analistas, como por exemplo a gestora do fundo britânico Insight Investement, Ingrid Iversen, descartam totalmente a veracidade dos rumores, que atribuem a uma manipulação de agentes de mercado. Mas salientam que devido ao impacto dos rumores, seria positivo um esclarecimento por parte do governo?, escreveu o repórter da AE-Broadcast. O economista sênior do banco Dresdner Kleinwort Wasserstein, Nuno Camara, após ser questionado sobre o tema por vários clientes, contatou a liderança do PT em Brasília, que assegurou que os rumores eram completamente infundados. Segundo Camara, o PT afirmou que iria divulgar um desmentido sobre o tema. "Sabemos que os boatos são furados, mas diante do impacto que isso está tendo aqui fora, um desmentido oficial seria importante", disse Camara. Os boatos estavam também nas mesas de trading de papéis da dívida e de ADRs de mercados emergentes em Wall Street, conforme informou o repórter do AE-Broadcast em Nova York, Fábio Alves. Segundo ele, investidores congestionaram as caixas postais de analistas de bancos indagando sobre os boatos. "Os investidores estão muito tensos com os rumores que se disseminaram com rapidez incrível hoje sobre a saída do ministro Palocci. O governo tem que vir a público acalmar o mercado", afirmou um estrategista de dívida de um grande banco de investimentos em Wall Street. Um operador de dívida brasileira de outro grande banconorte-americano foi enfático: "Se o ministro Palocci sair, eu vendo tudo que tenho de Brasil". Um economista de uma renomada instituição financeira norte-americana disse que as reportagens no final de semana dando conta de uma divergência José Dirceu e o ministro Palocci teria alimentado os boatos. "Os comentários de Dirceu de que a taxa Selic acabará o ano abaixo de 20% e de que os depósitos compulsórios seriam reduzidos nos próximos dias não caíram bem no Ministério da Fazenda, pois osinvestidores interpretaram isso como uma intervenção na condução da política monetária. Além disso, fala-se que o ministro Palocci talvez esteja fazendo uma chantagem, ameaçando sair do governo, se o presidente Lula ceder em novas concessões no texto da reforma da previdência social", explicou o economista.

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