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Mercado se divide em relação ao fim do ciclo

O quadro das projeções sobre o futuro do ciclo da Selic após a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de abril tornou-se difuso, com as opiniões divididas sobre se o Banco Central fechou este mês a sequência de queda da taxa ou se o processo iniciado em agosto do ano passado terá mais um capítulo ou até dois.

O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h03

É o que mostra o Termômetro AE Projeções, do qual participaram 33 instituições do mercado financeiro. De acordo com a pesquisa, oito casas acreditam que a Selic teve sua última queda em abril; 16 casas esperam somente mais um corte, com o ciclo terminando em maio; enquanto nove casas trabalham com o cenário de declínio dos juros até julho.

No Termômetro anterior, publicado antes da reunião do Copom de março, o quadro estava mais equilibrado, com uma leve vantagem para a corrente que previa o encerramento do afrouxamento monetário em abril, em relação aos que tinham maio como prazo final.

Após a ata daquela reunião, na qual o destaque também fora o parágrafo 35 - em que o BC atribuía "elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares ligeiramente acima dos mínimos históricos, e nesses patamares se estabilizando" -, o mercado comprou a ideia de pelo menos mais um corte de 0,75 ponto em abril.

Como de praxe, o atual Termômetro do AE Projeções não necessariamente traz as mesmas instituições consultadas nos levantamentos anteriores. O intuito da coleta é mostrar se há uma migração relevante das diversas correntes de economistas para determinada tendência.

Na ata de ontem, os diretores não foram tão explícitos quanto na anterior sobre o passo seguinte, o que levou muitos abalistas a acreditar que a política monetária, mais que antes, está refém dos dados econômicos. Mas, de acordo com eles, a Selic pode sim voltar a 8,75% ou até abaixo.

O que parece mesmo ser consenso é que a autoridade monetária, ainda que volte a cortar a taxa básica, não deve repetir a redução de 0,75 ponto porcentual dos dois últimos encontros.

Assim sendo, mesmo aqueles que não esperam mais reduções admitem que a ata deixou a porta aberta para cortes mais discretos, dada a menção sobre os sinais favoráveis da inflação desde março e sobre a permanência dos riscos limitados à sua trajetória, além da reiteração de que a contribuição do cenário externo é desinflacionária.

Mas estes mesmos profissionais avaliam que, não à toa, o Copom citou no mesmo parágrafo 35 "os efeitos cumulativos e defasados das ações de política implementadas até o momento" para justificar a necessidade da parcimônia na condução do processo daqui para a frente. / DENISE ABARCA, MARIA REGINA SILVA E FLAVIO LEONEL

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