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Mercado segue em dúvida com futuro da OGX

Acordo com a Petronas não diminuiu ceticismo em torno da petroleira; ações caíram 4,6% ontem

BETH MOREIRA , CYNTHIA DECLOEDT , O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2013 | 02h08

A OGX, petroleira de Eike Batista, iniciou o dia de ontem com novo fôlego no desempenho de suas ações na BM&FBovespa, após a confirmação, na noite de terça-feira, da venda de 40% do campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, para a malaia Petronas, por US$ 850 milhões. O acordo prevê ainda uma opção de compra de 5% do capital total da OGX a um preço de R$ 6,30 por ação.

Os papéis da OGX chegaram a registrar alta de mais de 9%, situando-se entre os melhores desempenhos da bolsa ontem, com mais de 22 mil negócios. Mas, ao longo do dia, inverteram a posição e, depois de caírem 10% em relação ao preço referencial de R$ 2,06, encerraram o pregão com queda de 4,62% em relação ao fechamento de ontem, para R$ 1,86.

O comportamento dos investidores indica o ceticismo do mercado em relação ao efeito do acordo no caixa da empresa. Segundo um analista do setor, um sinal da contínua desconfiança dos investidores em relação à companhia é o volume de posições vendidas, que corresponde a 30% das ações em flutuação no mercado (free float). "O mercado não está convencido", disse. "Os US$ 850 milhões não são suficientes para resolver os problemas financeiros da empresa e não está claro como e quando esses recursos chegarão à OGX", acrescentou.

A transação, que ainda está sujeita à aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), foi fechada com algumas imposições da estatal malaia, que vinculou boa parte do pagamento à produção do campo de Tubarão Martelo. A OGX permanece como operadora das áreas.

Análises. O negócio representou alívio para o caixa da OGX no curto prazo, mas não resolve as necessidades da petroleira de Eike Batista no longo prazo, avaliou o banco Morgan Stanley. Em relatório, os analistas Bruno Montanari e Guilherme Bellinetti afirmam que o comunicado sobre o acordo com a Petronas não faz menção aos termos para o pagamento dos US$ 850 milhões pela petroleira da Malásia à OGX. "O valor estimado implícito de US$ 10 por barril de óleo equivalente (boe) está 23% abaixo do nosso valor justo de US$ 13,1/boe."

Em relatório, o banco JP Morgan ressaltou que o acordo traria para junto da OGX um parceiro com capacidade técnica reconhecida, confirmando a atratividade de Tubarão Martelo, apesar do desempenho negativo de produtividade de Tubarão Azul. Os analistas Caio M. Carvalhal e Felipe dos Santos, do JPMorgan, calculam o valor do negócio em US$ 10 o barril de óleo equivalente para as duas áreas. "Considerando a situação financeira da empresa, o negócio ajuda a aliviar os problemas financeiros no curto prazo", afirmam.

O BB-BI também avaliou o negócio como benéfico para a OGX. Para a corretora, a OGX deve se beneficiar da parceria com uma petroleira que possui balanço consistente e expertise.

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