Mercado segue nervoso com avanços de Lula

As expectativas de avanços do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) na rodada dessa semana de pesquisas de intenção de votos não agradou os mercados. Segundo boatos que vêm rondando desde ontem, Lula estaria muito próximo do porcentual de votos necessários para vencer já no primeiro turno. O pessimismo com o quadro sucessório foi agravado por quedas nas bolsas norte-americanas. Nesse quadro, a grande maioria dos analistas espera que a Selic - taxa básica referencial da economia - seja mantida nos atuais 18% ao ano.Hoje será divulgado o resultado do Ibope, e na quinta-feira o do Vox Populi. Rumores dão conta de que Lula estaria próximo dos 50% de votos válidos (descontados brancos e nulos). Ou seja, as intenções de voto para o candidato do PT estão próximas da soma de todos os votos para os demais candidatos. Os mercados, que torcem para José Serra (PSDB/PMDB), não gostaram dessa possibilidade e reagiram mal. Mas analistas advertem que ainda há espaço para mais pessimismo, pois a aposta ainda é num segundo turno entre Serra e Lula, e se isso não se concretizar, as cotações indicarão uma percepção de risco maior, atribuída a um governo do PT.Apesar do recuo do governo iraquiano nos enfrentamentos com os Estados Unidos, a possibilidade de guerra não foi totalmente afastada. O Iraque tem um histórico de muita hesitação nas suas posições, e muitas vezes não cumpre suas promessas. Ao menos essa é a percepção do presidente dos Estados Unidos, que não vê com muito otimismo a decisão de permitir a entrada irrestrita de inspetores de armamentos. Hoje os preços do petróleo caíram, mas mantêm-se altos com as preocupações de que a guerra se concretize.Amanhã termina a reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que discutirá a Selic. A maioria dos analistas acredita na manutenção da taxa nos atuais 18% ao ano, segundo apuração do repórter Francisco Carlos de Assis. O dólar e os juros de mercado estão mais estáveis do que no mês passado e a inflação está abaixo da meta do governo. Mas o cenário externo segue turbulento, e as eleições ainda estão trazendo muitas oscilações aos mercados. O ponto mais polêmico é se o governo manterá o viés de baixa - a autorização para que o Banco Central reduza a Selic sem consultar o Copom até a reunião de outubro.MercadoO dólar comercial foi vendido a R$ 3,2500 nos últimos negócios do dia, na cotação máxima, em alta de 1,06% em relação às últimas operações de segunda-feira. A mínima do dia foi de R$ 3,1940. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 40,33% no ano e 4,00% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 21,130% ao ano, frente a 20,920% ao ano segunda-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 24,200% ao ano, estáveis em relação a segunda-feira.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,84% em 9650 pontos e volume de negócios de R$ 355 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 28,92% em 2002 e alta de 1,30% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 10 apresentaram altas. Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 2,06% (a 8207,6 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -caiu 1,25% (a 1259,94 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$0,9740; uma alta de 0,23%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 0,69% (383,10 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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