Mercado segue tenso e cotações pioram

A recuperação dos mercados financeiros internacionais ainda não veio. Pelo contrário, as bolsas no mundo inteiro seguem em queda, abalando os mercados brasileiros. Hoje o dólar chegou a disparar para R$ 2,9340; mais um recorde histórico. Não se espera que as oscilações acabem até 14 de agosto.Enquanto continuam as más notícias sobre as investigações das empresas norte-americanas, os investidores não dão trégua. Hoje foram as ações do setor bancário, devido às suspeitas de envolvimento de grandes grupos financeiros dos Estados Unidos com as fraudes contábeis que vêm pipocando nas últimas semanas. A expectativa dos analistas é que os mercados continuem muito tensos até a metade de agosto, prazo dado para que os presidentes das empresas ratifiquem seus balanços, sob pena de investigação criminal. Até lá, a crise de confiança, gerada pela surpresa com as várias fraudes, não deve passar.Também contribui para o pessimismo a evolução do quadro sucessório no Brasil. A divulgação de pesquisas a partir de agora deve ser mais freqüente, e o mercado espera uma evolução da candidatura governista de José Serra (PSDB/PMDB) a partir do início do horário eleitoral, em 20 de agosto. O problema é que a distância dele dos dois primeiros colocados é cada vez maior. E Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, além de avançar no gosto do eleitorado, conquista aliados políticos importantes.Amanhã, por volta das 14 horas, o BC deve divulgar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deverá explicar os motivos da redução de 18,5% para 18% ao ano da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. A decisão agradou o mercado, mas foi surpreendente. Os investidores querem conferir os detalhes da reunião para entender melhor as ações do Copom e fazer novas projeções.O dólar comercial foi vendido a R$ 2,9200 nos últimos negócios do dia, em alta de 0,62% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 2,8980 e R$ 2,9340. Com o resultado dessa terça-feira, o dólar acumula uma alta de 26,08% no ano e 3,55% em julho.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,400% ao ano, frente a 22,480% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 27,000% ao ano, frente a 25,200% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,49% em 9745 pontos e volume de negócios de R$ 520 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 28,22% em 2002 e 12,51% em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 17 apresentaram altas. O principal destaque foi a recuperação dos papéis da Embratel PN (preferenciais, sem direito a voto), com valorização de 9,22% e ON (ordinárias, com direito a voto), que subiram 11,11%. A Embraer, que anunciou contrato de venda de aeronaves para a Índia hoje, caiu 3,00% (ON) e 3,37% (PN).Mercados internacionais Em Nova York, as quedas continuam firmes. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,06% (a 7702,3 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -caiu 4,18% (a 1229,05 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9887; uma queda de 1,55%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 0,38% (363,04 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

23 de julho de 2002 | 18h34

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