Mercado sensível a noticiário pessimista

Já se esperava que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantivesse a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 18,5% ao ano. Mas a decisão não agradou. A economia cresce pouco e o quadro eleitoral preocupa os investidores. O saldo é parecido com o dos últimos dias: alta do dólar e quedas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). E as preocupações com o cenário externo reforçam o pessimismo.A definição da deputada Rita Camata para vice na chapa do candidato José Serra não entusiasmou os investidores, que se preocupam com a diferença entre as intenções de votos atribuídas a ele e ao pré-candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Essa seria a principal causa da recente alta do dólar e dos juros dos papéis brasileiros no mercado internacional. Ontem o comercial para venda fechou a R$2,5250.Comenta-se que a política rígida de juros altos para manter as metas inflacionárias apertadas estariam limitando muito o crescimento econômico, o que não ajuda o candidato do governo. Analistas lamentaram que o Copom não tivesse sido mais agressivo na redução da Selic nos últimos dois meses, quando o cenário estava muito mais favorável, e temem que não haja muito espaço para cortes a partir de agora. De qualquer forma, as apostas para a reunião do mês que vem ainda estão muito desencontradas.Na Bovespa, outro fator que ajudou a derrubar o índice foi a rejeição pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) do pedido de medida preventiva da Embratel e da Intelig. As duas empresas queriam impedir que as demais empresas de telefonia fixa entrassem no mercado de longa distância, e a negativa, que tornará o mercado mais competitivo, derrubou as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Embratel (-6,92%). A Bovespa registrou queda de 2,63% no dia.A boa notícia é que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem à noite a proposta de emenda constitucional que prorroga a vigência da (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Faltam ainda votar duas propostas da emenda na comissão e depois no plenário.A conjuntura internacional também não está ajudando. As bolsas nos Estados Unidos seguem em queda em função de temores de que as previsões sobre a recuperação da economia não se concretizem. O crescimento pode estar mais lento que o esperado, há fortes fluxos de investimentos para a Ásia e o dólar está caindo nos mercados internacionais. Para piorar, o governo vem alertando a população sobre a possibilidade de novos ataques terroristas no país, o que preocupa os investidores e os afasta de aplicações de maior risco.Também na Argentina, o governo do presidente Eduardo Duhalde enfrenta sua primeira greve geral e uma onda de protestos que levou ontem a boatos de demissão do presidente do Banco Central, Mario Blejer, posteriormente desmentidos.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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