Mercado sobe previsão de inflação de 12 meses, mostra pesquisa

Os analistas do mercado financeiro brasileiro elevaram suas projeções para o comportamento da inflação no País nos próximos 12 meses. De acordo com a pesquisa semanal feita pelo Banco Central, a projeção média para a variação do IPCA nos próximos 12 meses subiu de 6,75% para 7,16%. A estimativa para o comportamento do IGP-DI também sofreu uma leve alteração, passando de uma alta de 6,69%, estimada na pesquisa anterior, para um alta de 7,68%. No caso do IGP-M, os analistas consultados pelo BC projetaram uma variação para o índice de 7,31%, pouco abaixo dos 7,39% estimados na pesquisa anterior, divulgada no último dia 7 de julho. Previsões para IPCA de julho recuam Apesar de os analistas terem elevado a projeção para a variação do IPCA nos próximos 12 meses, a estimativa para o mês de julho registrou um recuou. O mercado aposta que o IPCA acumulará este mês uma variação de 0,90%, ficando abaixo portanto do estimado na pesquisa anterior, quando os analistas apostavam numa variação de 1,01% para o índice em julho. A estimativa para a variação do IPCA em agosto sofreu uma pequena alteração, passando de uma alta de 0,64% para um alta de 0,65%. Os analistas também reduziram suas projeções para as variações de outros índices de inflação nestes dois meses. No caso do IGP-DI, por exemplo, a projeção para o mês de julho recuou de 0,82% para 0,60%, enquanto que o IGP-M passou de 0,50% par 0,25%. Para o mês de agosto, a estimativa dos analistas consultados pelo BC é de que o IGP-DI acumulará uma alta de 0,70% e não mais de 0,75% como estimado na pesquisa da semana passada. No caso do IGP-M, a expectativa dos analistas é que o índice acumulará uma alta de 0,70% em agosto e não mais de 0,80%, como estimado na pesquisa divulgada na segunda-feira da semana passada. IPCA para 2003 O mercado financeiro brasileiro aposta que o IPCA fechará 2003 com uma alta de 10,81%. Apesar da estimativa ainda estar acima da meta ajustada fixada pelo governo - que é de 8,5% - a projeção feita pelos analistas está abaixo dos 11,02% estimados pelo próprio mercado até na semana passada. De acordo com a pesquisa semanal feita pelo Banco Central, os analistas consultados também reduziram suas estimativas para a variação do IPCA em 2004. A projeção incluída na pesquisa desta semana é de uma alta de 6,98% para o índice no próximo ano e não mais de 7% como estimado até o último dia 7 de julho. As projeções para as variações do IGP-DI, IGP-M e para o IPC da Fipe também foram reduzidas. No caso do IGP-DI, a estimativa do mercado é de que o índice acumulará uma alta de 9,35% este ano e de 7,47% em 2004. Na pesquisa anterior, as projeções para o índice eram de uma alta de 10% em 2003 e de 7,50% em 2004. Para o IGP-M, a projeção para 2003 caiu de 10,80% para 10,39%, enquanto que para 2004 a estimativa passou de uma alta de 7,50% para 7,30%. Para o IPC da Fipe, as projeções feitas indicam uma alta de 9,63% em 2003, ante 9,92% da pesquisa anterior, e de 6,49% em 2004, ante 7% estimado até o último dia 7 de julho. Investimento externo direto A estimativa para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos no País em 2003 recuou de US$ 10 bilhões para US$ 9,70 bilhões. Para 2004, as analistas consultados mantiveram de US$ 13 bilhões suas estimativas para o ingresso desse tipo de investimento no Brasil. Para a balança comercial, os analistas mantiveram em US$ 17 bilhões a estimativa para o superávit de 2003, mas reduziram de US$ 15,5 bilhões para US$ 15,24 bilhões a projeção para o saldo de 2004. Olhando as contas externas brasileiras como um todo, os analistas apostam que o País terá um déficit em transações correntes de US$ 3,45 bilhões em 2003, pouco abaixo do déficit de US$ 3,50 bilhões estimados na pesquisa anterior. Para 2004, entretanto, a expectativa dos analistas é que o País fechará suas transações com resto do mundo acumulando um déficit de US$ 5,05 bilhões e não mais US$ 4,85 bilhões, previstos até o último dia 7 de julho. Relação dívida-PIB A pesquisa divulgada esta manhã pelo BC revela ainda que o mercado continua apostando numa queda da relação da dívida líquida do setor público com o Produto Interno Bruto (PIB). Para 2003, os analistas consultados pelo BC estimam que essa relação ficará 54,70% e não mais 54,90% como previsto na pesquisa anterior. Para 2004, as projeções indicam que a relação dívida/PIB deverá estar em 53,35% ao final daquele ano, e não mais em 53,50% como estimado até o último dia 7 de julho. Taxa Selic O mercado financeiro reduziu sua estimativa para o comportamento da taxa Selic ao final de 2003. Na esteira das declarações feitas pelo ministro da Fazenda Antonio Palocci na semana passada, os analistas consultados pelo Banco Central reduziram de 21% para 20,50% suas estimativas para o patamar em que a Selic deverá estar no fechamento do ano. Durante café da manhã, na semana passada, com líderes do governo na Câmara, Palocci teria dito, segundo fontes, que a Selic deveria fechar 2003 entre 21% e 20%, exatamente dentro do intervalo previsto pelo mercado financeiro. Para 2004, os analistas ouvidos pelo BC mantiveram a expectativa da Selic fechar aquele ano em 16%. A moderação também pode ser encontrada nas projeções feitas pelos analistas para a taxa de câmbio. Foram mantidas as projeções para o encerramento de 2003 (dólar cotado a R$ 3,20) e para o fechamento de 2004 (dólar cotado a R$ 3,50). Em termos de crescimento econômico, os analistas consultados pelo BC mantiveram em 1,70% a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2003 e em 3% para 2004. Para os preços administrados, a estimativa de inflação desse conjunto de preços em 2003 caiu de 14,85% para 14,60%. Para 2004, os analistas apostam que os administrados acumularão naquele ano uma alta de 9%, abaixo portanto dos 9,16% que eram estimados até o último dia 7 de julho.

Agencia Estado,

14 Julho 2003 | 10h07

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.