Mercado sofre com crise de confiança nos EUA

O cenário internacional já vinha mal desde o ano passado, agravando-se depois dos atentados terroristas no ano passado; a sucessão presidencial traz poucas perspectivas de que a política econômica seja mantida e as reformas desejadas pelo mercado sejam realizadas; e agora uma crise de confiança no mercado acionário assola os Estados Unidos. Sem uma solução definitiva, as conseqüências podem ser alta do dólar e dos juros, e quedas nas bolsas.Depois da euforia da era Clinton, as grandes empresas norte-americanas agora estão revelando fragilidade em função da manipulação de suas informações contábeis, trazendo riscos e prejuízos inesperados a seus acionistas. Primeiro foi a Enron, depois WorldCom, e recentemente, Merck, Quest e Vivendi. Ontem um grupo de acionistas da Halliburton, empresa de serviços de exploração de petróleo, de engenharia e construção, abriram processo contra Dick Cheney, vice-presidente dos EUA, e outros diretores da empresa por causa de sobrevalorização de receitas. Cheney foi presidente e diretor-executivo da empresa entre 1995 a 2000.Imediatamente, os investidores vêm fugindo das bolsas e transferindo os seus recursos para títulos do governo norte-americano, cuja remuneração é baixa, mas segura. O mercado começa a preocupar-se com os possíveis efeitos sobre a economia real. Ontem as bolsas em Nova York voltaram a despencar para níveis próximos aos observados logo depois dos atentados de 11 de setembro. Por enquanto, aplicações em mercados emergentes, como o Brasil, foram pouco afetadas, mas como são papéis de risco elevado, também podem sofrer, especialmente porque o processo eleitoral eleva seu risco ainda mais.Como o cenário internacional não se mostra muito favorável a investimentos estrangeiros no Brasil, os mercados torcem para que o próximo presidente mantenha as diretrizes de política econômica atuais e aprofundem reformas estruturais. Como o candidato governista, José Serra, tem mostrado desempenho fraco nas pesquisas de opinião, a preocupação é grande, mesmo com as ponderações de que sua vantagem no horário eleitoral gratuito pode traduzir-se em votos a partir de agosto.Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que tem um histórico pouco afinado com as teses defendidas pelo mercado, mantém-se consolidado na liderança e com grande vantagem. Para piorar, Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, está empatado com Serra, e é até agora uma incógnita, com um discurso que não agrada os investidores. Ainda que com apoio já significativo e crescente do conservador PFL.Ou seja, para o curto prazo, não se antevê uma melhora significativa sem eventos surpreendentes, já que a evolução política é de difícil previsão, e as principais economias mundiais estão praticamente estagnadas. Isso sem mencionar a crise das bolsas nos Estados Unidos e a possibilidade já anunciada de novos atentados no próximo 11 de setembro. O resultado é muita cautela por parte dos investidores.Ontem o Dow Jones fechou em queda de 3,11% (a 8813,5 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 2,54% (a 1346,01 pontos). O dólar foi vendido a R$ 2,8510 nos últimos negócios do dia, em queda de 0,11% em relação às últimas operações de terça-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,24% em 10.555 pontos e os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 23,500% ao ano, inalteradas em relação a segunda-feira. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 26,900% ao ano, frente a 27,000% ao ano negociados segunda-feira. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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