Mercado sofre de novo com queda nos EUA

Fortes vendas atingiram os mercados acionários de Nova York e da Europa nesta sexta-feira, com o índice Dow Jones, ostentando perda acentuada de mais de 3% no início da tarde. O diagnósticos para as perdas desta sexta-feira citam as fracas projeções de expoentes do setor tecnológico e também a notícia de uma investigação criminal na Johnson&Johnson. A conseqüência foi que os mercados brasileiros também foram contaminados pelo pessimismo.Todos os principais índices internacionais apresentavam fortes quedas. O Dow Jones perdia 3,25% há pouco, em 8.135 pontos, seguindo abaixo do nível de fechamento em 21 de setembro do ano passado (nível mais baixo após os atentados), que foi de 8.235 pontos. Com isso, apresentava uma perda de 6,3% em relação ao seu nível de fechamento de sexta-feira da semana passada, quando estava em torno de 8.130 pontos. O índice carregava o dobro da queda do já depreciado Nasdaq, que nesse mesmo período acumulava desvalorização de 3%. Outros índices referenciais importantes das bolsas européias também acumulavam perdas expressivas na semana, embora seguissem atrás do Dow. Em Paris, o CAC-40 fechou hoje em 3.324,04 pontos, com queda de 5,38% em relação a último pregão da semana passada. Em Londres, o FTSE-100 acumulou perda de 2,85% no mesmo intervalo. Na sessão desta sexta-feira, o CAC-40 fechou em -5,4% e o FTSE-100 recuou 4,5%.Em Nova York, Johnson & Johnson era o papel mais negociado e principal fator de pressão sobre o Dow Jones, despencando 14%. O jornal "The New York Times" informou que uma unidade da empresa em Porto Rico, que fabrica o medicamento Eprex, estava sob investigação do Food and Drug Administration (FDA) e do Departamento de Justiça do EUA. O remédio, usado no tratamento de anemia, levaria a uma condição em que o organismo não conseguiria mais produzir sozinho células vermelhas, deixando os pacientes dependentes de transfusões de sangue para sobreviver. Fatos assim geram processos de milhões de dólares contra a empresa, e, conseqüentemente, perdas enormes.Após uma série de escândalos contábeis, o mais recente deles envolvendo a AOL Time Warner, os investidores receberam com susto essa notícia sobre a empresa. Mas essa não foi a única dor de cabeça do dia. Ontem, várias empresas divulgaram prognósticos mais pessimistas para 2003, comoa Sun Microsystems, Microsoft e Ericsson, cujas ações também despencam mais de 20%.A investigação na Johnson&Johnson, as projeções cutelosas da Microsoft e Sun Microsystems e a expectativa de que a gigante de telecomunicações WorldCom pedirá concordata neste fim de semana minaram o interesse pelo dólar. O euro chegou a subir a US$ 1,0210 na manhã e valia US$ 1,0152 por volta das 13h40 (de Brasília). Ante o iene, o dólar era negociado a 115,72 ienes, perto da mínima intraday de 115,54 ienes.Mercados brasileiros resistemNo Brasil, os reflexos foram imediatos. O que está evitando uma piora de humor mais forte no mercado é a perspectiva de que o Brasil possa chegar a um acordo com o FMI. Não há nenhuma confirmação oficial de que o acordo está sendo fechado, ou mesmo que esteja sendo encaminhado. Mas as reuniões de Fraga nos EUA da semana passada, aliada às futuras visitas ao Brasil de Anne Krueger, do FMI, e Paul O´Neill, do Tesouro americano, levaram o mercado a considerar que o governo brasileiro já iniciou algum tipo de entendimento que possa facilitar, e apressar, um acordo emergencial.Muitos analistas ainda são céticos quanto à possibilidade de sair um grande acordo formal, com muito dinheiro e assinaturas dos candidatos a presidente, na linha do fechado pela Coréia há quatro anos. Mas algum tipo de entendimento já poderia estar engatilhado, com possível liberação de algum montante de recursos ou flexibilização do piso das reservas. Com isto, o BC ganharia margem para controlar o câmbio até a passagem de bastão ao novo presidente. Seja qual for o tipo de acordo, ele deve se tornar tanto mais plausível quanto mais turbulento estiver o mercado.Se a situação piorar muito e adquirir tons dramáticos, há quem acredite que a necessidade do momento pode reduzir as resistências que vários dos atores da crise poderiam ainda ter ao acordo. O governo brasileiro, para evitar o pior, preferiria pagar o preço de eliminar qualquer medo das oposições. As oposições poderiam esquecer antigas críticas ao Fundo e firmar o pacto para escapar da acusação de responsáveis pela crise. Quando ao Fundo e ao Tesouro dos EUA, que jogaram duro com a Argentina, tratariam o Brasil diferentemente, e por vários motivos: os estrangeiros estão muito mais expostos hoje no Brasil do que estavam na Argentina antes da crise do peso. Por ter PIB muito maior, o Brasil tem maior poder de contágio internacional. E, com as bolsas americanas e européias já críticas, uma novo abalo num grande mercado poderia gerar uma crise sistêmica global.Além da proximidade do FMI e dos EUA, os sinais de aumento do diálogo entre representantes da oposição com o governo e com FMI e o Tesouro americano também ajudam a minorar a tensão pré-eleitoral. Chamaram a atenção nos últimos dias sobretudo as reuniões de Aloízio Mercadante com Armínio Fraga e do presidente do PT, José Dirceu, com representantes da comunidade financeira e do governo norte-americanos. Nos próximos dias, Fraga deve conversar com Ciro Gomes. Esta quebra de gelo entre a oposição e o mundo financeiro não convence o mercado a virar a casaca, mas favorece um certo arrefecimento de ânimos num momento duro para o candidato preferido dos investidores, José Serra.MercadosÀs 15h, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 2,8540; em alta de 0,11% em relação às últimas operações de ontem. Ao longo do dia, o valor mínimo negociado foi de R$ 2,8460 e o máximo de R$ 2,8830. Com o resultado apurado agora, o dólar acumula uma alta de 23,23% no ano e 1,21% em julho.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 20,960% ao ano, frente a 21,200% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 apresentam taxas de 24,400% ao ano, frente a 24,850% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 0,62% em 10745 pontos e volume de negócios de cerca de 243 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 20,86% em 2002 e 3,54% só em julho. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, x apresentaram altas baixas. Os principais destaques são os papéis da Acesita PN (preferenciais, sem direito a voto), com alta de 6,67% e da Souza Cruz ON (ordinárias, com direito a voto), que subiu 6,62%.E não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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