Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cautela com eleições faz Bolsa cair 1,49%; dólar fecha perto da estabilidade

Mesmo com Geraldo Alckmin bem posicionado na pesquisa divulgada pelo CNT/MDA, dia foi de cautela nesta quarta-feira, 08; dólar fechou em leve queda de 0,07%, aos R$ 3,7642

Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2018 | 12h11

Após uma manhã relativamente tranquila, as incertezas em relação às eleições voltaram a predominar na tarde desta quarta-feira, 08, levando a Bolsa a renovar mínimas seguidas e a perder o nível dos 80 mil pontos. Ao contrário do que ocorreu no pregão anterior, em que boatos sobre a cena política pesaram sobre os ativos locais, não houve fatores que justificassem o mau humor na reta final desta sessão. No fim do pregão, a Bolsa acelerou o ritmo de perdas e encerrou o dia em queda de 1,49%, aos 79.151,70 pontos. Já o dólar, com o cenário externo mais tranquilo, fechou o dia perto da estabilidade, em queda de 0,07% cotado a R$ 3,7642.

Embora a pesquisa CNT/MDA realizada com eleitores de São Paulo não tenha confirmado os temores desta terça-feira, 07, de desempenho ruim do candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, os investidores preferiram manter a cautela, com as atenções voltadas agora para o primeiro debate entre presidenciáveis, nesta quinta-feira, 09.

Mesmo com um dia positivo no mercado de ações de Nova York, a queda das commodities no mercado internacional, sobretudo, do petróleo, pressionaram os papéis da Petrobrás, que encerraram o dia em baixa de 2,02% (ON) e 2,75% (PN). Outro destaque negativo no pregão foram os papéis dos bancos, que fecharam o dia em queda.

"Houve um reposicionamento de carteira pela cautela diante de incerteza das pesquisas que virão e a queda das commodities. No contexto atual, qualquer tipo de incerteza faz o fluxo vendedor vir forte e começa a zeragem de posições", disse um analista de uma grande corretora.

"Já havia um viés ligeiramente negativo desde ontem (terça) pela boataria e algum acontecimento político específico que não aconteceu ainda", completa Aldo Muniz Filho, analista da Um Investimentos, para quem atualmente há muito mais uma intenção de voto emocional do que embasada por questões técnicas. "Só após a propaganda na TV, é que terá mais peso."

"As pesquisas vão trazer volatilidade ao mercado, mas ainda é num cenário fictício. Só vai pegar mesmo depois que o TSE se posicionar sobre a candidatura porque aí vai saber mesmo o quanto pode transferir de voto", diz Luiz Mariano De Rosa, sócio da Improve Investimentos, explicando que é preciso ver o quanto Lula consegue transferir de votos para Fernando Haddad.

Cautela com eleições diminui liquidez no mercado de dólar

A cautela com o cenário eleitoral doméstico deu o tom dos negócios no mercado de câmbio brasileiro nesta quarta-feira, 08, o que se traduziu em baixa liquidez e oscilações contidas. Segundo profissionais do mercado, o clima de especulação que movimentou os ativos na véspera deu lugar a um ambiente de maior prudência, com investidores aguardando fatos novos antes assumir novas posições. Sem pesquisa eleitoral no radar de curto prazo, as atenções agora se voltam ao debate entre presidenciáveis na TV, amanhã.

O dólar alternou altas e baixas ao longo de todo o dia e terminou a sessão muito perto da estabilidade, aos R$ 3,7642 (-0,07%). Os negócios somaram US$ 560,9 milhões, praticamente a metade de um dia considerado "normal".

Pela manhã, a cotação do dólar à vista chegou a cair 0,82%, ao atingir a mínima de R$ 3,7360. A queda era atribuída em parte a um ajuste às altas dos dois dias anteriores, com as quais a cotação havia subido mais de 1,5%. Profissionais notaram fluxo levemente positivo favorecendo a baixa das cotações pela manhã. Por outro lado, apontaram uma redução dessa tendência à tarde, que teria mantido as cotações mais próximas do equilíbrio. De todo modo, a cautela do investidor foi mais nítida no mercado futuro, com tesourarias bancárias ajustando levemente suas posições, em meio à queda da Bolsa e alta dos juros.

"O cenário eleitoral causa um pouco de intranquilidade no mercado, que hoje (quarta) foi fraco, pequeno. A provável saída de recursos da Bolsa também contribuiu para impedir a queda", disse Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil Serviços.

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