Mercado testa BC e tenta forçar cotação do dólar, que sobe 0,48%

A pressão para aumentar a cotação da Ptax fez com que a moeda dos EUA testasse a máxima do dia, de R$ 2,1120

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h55

O dólar fechou em alta em relação ao real ontem pela segunda sessão consecutiva, em uma tentativa dos investidores de elevar a Ptax de novembro - uma taxa média da moeda norte-americana que será calculada pelo Banco Central hoje, último dia do mês.

A pressão entre investidores para influenciar na cotação da Ptax fez com que o dólar no balcão testasse a máxima do dia, de R$ 2,1120, perto do horário do fechamento daquela taxa, no início da tarde. Acima da cotação de R$ 2,10, o avanço do dólar fez com que a atenção se voltasse para uma eventual atuação do Banco Central. Embora a moeda norte-americana tenha encerrado o dia abaixo deste patamar no mercado à vista de balcão, a trajetória de elevação soma-se à percepção de que o BC estaria disposto a tolerar um dólar mais forte, o que faz com que o mercado teste em qual ritmo a eventual valorização pode se desenvolver.

O valor do fechamento da Ptax de hoje será utilizado como referência na liquidação dos contratos de derivativos cambiais de dezembro. "Nesta sexta-feira, o dólar deverá manter o mesmo comportamento, uma vez que é a formação da Ptax. Depois deve retornar para (os níveis de) R$ 2,08 a R$ 2,09", ponderou o sócio-gerente da Onnix Corretora de Câmbio, Wanderlei Muniz.

Dia de alta. No mercado doméstico, o dólar à vista fechou cotado a R$ 2,0980 no balcão, com alta de 0,48%. Na máxima, a moeda chegou a R$ 2,1120 e bateu em R$ 2,0880 na mínima. Na BM&F, a moeda spot fechou em R$ 2,0971, com alta de 0,57% e doze negócios. O giro financeiro à vista somou US$ 1,650 bilhão.

No mercado futuro de dólar, cinco vencimentos foram negociados todos em alta. O volume financeiro total somou US$ 22,171 bilhões, sendo US$ 21,074 bilhões para o contrato de dezembro, que encerrou o dia cotado a R$ 2,099 (+0,21%).

O dólar renovou máximas no mercado à vista de balcão e para dezembro de 2012 de forma concomitante pouco antes do fechamento da Ptax, que encerrou a o pregão de ontem em alta de 0,38%, cotada a R$ 2,0991. "Até agora, quem aposta na alta do dólar está ganhando a queda de braço", comentou um estrategista. "Portanto, a briga entre comprados e vendidos está se manifestando na moeda", citou.

Perto das 16 horas, as cotações do dólar à vista no balcão e do dólar para dezembro de 2012, negociado na BM&F, estavam alinhadas em R$ 2,097, em um movimento considerado usual perto do fechamento do mês.

A percepção de que o governo estaria inclinado a permitir mais desvalorização do real, com objetivo de impulsionar a indústria, e em consequência o crescimento econômico, também mantém o dólar em trajetória de elevação. Neste ambiente, os investidores buscam saber se o BC entraria para liquidar o remanescente do lote de swap cambial reverso que vence em 3 de dezembro. Cerca de metade do total de US$ 3,1 bilhões já foi liquidada.

No entanto, com base na intervenção mais recente efetuada pelo BC, Gustavo Mendonça, economista da Saga Capital, gestora com R$ 1,1 bilhão de ativos administrados, considera que a inflação continua no radar do BC, embora para diversos agentes a visão é de que há mais tolerância com o avanço dos preços no País. "(O BC) não quer que (o real) se desvalorize muito rápido, pressionando a inflação", observou. /AE e REUTERS

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