Mercado tranqüilo espera reação a pacote argentino

Ontem os mercados mantiveram-se tranqüilos com o novo pacote argentino. A euforia cedeu à cautela, conforme os investidores brasileiros aguardam a reação da sociedade e dos mercados às novas medidas, que só entram em vigor na quarta-feira. Enquanto isso, surgiram mais algumas boas notícias a respeito da conjuntura nacional.Se a expectativa era de queda na inflação para confirmar as apostas em corte nos juros, os primeiros índices divulgados no ano não decepcionaram. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de dezembro ficou em 0,25%, abaixo dos 0,61% de novembro. E o Índice de Custo de Vida (ICV) de dezembro do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) apontou deflação de 0,16%. Assim, muitos analistas já estão confiantes sobre uma queda na Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 19% ao ano, na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 22 e 23.O dólar continuou em alta, mas nem tanto pela Argentina. Os investidores parecem não aceitar que a moeda norte-americana possa se sustentar por muito tempo abaixo de R$ 2,30. Nesse limite, aparecem compradores e a cotação volta a subir. De qualquer modo, agradou a emissão de US$ 1,25 bilhão realizada pelo governo brasileiro, pouco acima das expectativas do mercado, assim como o resultado da balança comercial da primeira semana de janeiro, um superávit de US$ 20 milhões.Internacionalmente, o ceticismo quanto ao pacote argentino é grande. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o presidente dos Estados Unidos deixaram claro que são a favor do câmbio livre flutuante, e não a solução adotada, de câmbio duplo. Além disso, as diversas isenções à desvalorização gerarão custos, e não está claro de onde virão as compensações. As dívidas abaixo de US$ 100 mil serão pesificadas respeitando o princípio da paridade e uma parte das operações cambiais terá o câmbio fixo em P$ 1,40, entre outros. Como o país quase não tem reservas e as finanças públicas estão em situação calamitosa, é difícil saber como financiar esses subsídios.Ainda assim, resta conhecer a reação popular ao pacote, já que uma nova onda de protestos pode inviabilizá-lo politicamente. No entanto, isso parece improvável nesse primeiro momento. Outro motivo para apreensão é a reação dos mercados. Uma corrida ao dólar pode encerrar as operações com o câmbio fixo imediatamente e trazer de volta o caos. Vale lembrar que há semanas as operações bancárias estão limitadas e as cambiais congeladas. A Bolsa de Valores de Buenos Aires também só reabre na quarta-feira. Até lá, os mercados brasileiros devem manter a cautela.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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