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Mercado: turbulências favorecem alta da Selic

Hoje à noite será divulgado o resultado da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que discute a Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 16,25% ao ano. O mercado aposta numa elevação de 0,5 ponto porcentual em virtude das inúmeras incertezas que rondam a economia (veja mais informações na matéria a seguir).Internamente há a crise energética. Mesmo o plano de racionamento do governo, com todas as restrições impostas, é de difícil implementação. Já há várias ações no Brasil todo contra as medidas e as próprias distribuidoras de energia não têm capacidade para atender a todas as demandas paralelas decorrentes da implementação do plano, como realização de cortes, negociação de casos especiais etc. Parece mais provável que haja mesmo apagões freqüentes, o que terá sérios efeitos sobre a economia.Por outro lado, a inflação está pressionada. Existe o efeito da crise de energia, que pode diminuir a quantidade de produtos ofertados, a alta do câmbio - ainda não inteiramente absorvida pelos preços -, a pequena alta do petróleo nos mercados internacionais e os demais aumentos de tarifas, como ônibus e água em São Paulo. Inflação mais alta exige alta nos juros nominais, no mínimo para preservar a remuneração do capital.Além disso, ainda resta a expectativa sobre a operação de troca de títulos de curto prazo argentinos. Mesmo não sendo capaz de tirar o país da depressão, o sucesso da reestruturação da dívida alivia as contas públicas nos próximos anos e afasta o risco da moratória no curto prazo. Alguns itens já foram divulgados e as negociações estão encerradas, mas devido aos procedimentos burocráticos necessários e à operação de adesão voluntária dos credores, o balanço definitivo só deve sair na primeira semana de junho.Crise política ressurgeNovamente a crise política voltou a preocupar. Se a Comissão de Ética do Senado abrir processo de cassação dos Senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, a renúncia não será mais possível. Teme-se que, caso eles sejam mesmo cassados, decidam divulgar novas denúncias contra o governo. A estimativa é que o processo possa durar mais de duas semanas. Isso porque o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-BA), anunciou que a mesa do Senado terá prazo de até 15 dias úteis para decidir se acata ou não a provável recomendação de abertura de processo. Nesse período, o mercado estará atento.Ao menos não houve novidades quanto às denúncias da última edição da revista Veja de que o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, teria vendido informações privilegiadas com o conhecimento do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e que até teria sido chantageado pelo ex-proprietário do Banco Marka, Salvatore Cacciola. Sem a apresentação de provas e mediante negativas veementes do governo e dos envolvidos, a denúncia deixa de preocupar o mercado. De qualquer modo, ainda há várias outras crises para administrar.

Agencia Estado,

23 de maio de 2001 | 08h26

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