Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Mercado vê chances de reforma da Previdência ser aprovada

Com o foco do governo novamente na Previdência, investidores e economistas voltam a apostar na aprovação do texto até dezembro

Impresso

24 de novembro de 2017 | 05h00

Mesmo com a dificuldade do governo em conseguir votos suficientes para passar a reforma da Previdência, o mercado vê chances de que o texto seja aprovado pelos parlamentares na Câmara ainda este ano. Em um dia de poucos negócios, por causa do feriado nos Estados Unidos, o aumento da confiança em relação à Previdência fez o dólar cair e as taxas de juros recuarem em bloco. A Bolsa manteve-se no campo negativo, ainda que perto da estabilidade.

++ Mesmo enxuta, reforma evita que próximo governo mude regra de aposentadoria, diz Fazenda

Ontem, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, disse, em entrevista a jornalistas, que aumentou a chance, “de algumas semanas para cá”, de o governo conseguir aprovar a reforma da Previdência no Congresso. “Passou a ser o foco principal do governo, que tem trabalhado em parceria com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia”, disse. Para Mesquita, se o governo marcar uma data para a votação da reforma na Câmara já será algo positivo. “Há muitos incentivos para o governo não chamar a votação se não tiver segurança, porque o impacto político de perder a votação é muito ruim.”

++ Emenda da Previdência mantém idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres 

Cálculo feito pela equipe do Itaú Unibanco mostra que o novo texto da reforma da Previdência mantém 60% da economia esperada pela proposta original e 80% do que se estimou com a proposta do relator da reforma na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA).

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, reforça que, se forem mantidas medidas como a fixação de uma nova idade mínima, as regras de transição e a equalização dos benefícios do funcionalismo público com os do setor privado, já será um ganho importante.

Reflexo. O fato é que, mesmo a aprovação de uma versão desidratada da reforma, agrada a investidores. O vaivém do mercado ontem refletiu isso.

++ Resolvemos fazer simplificações para a reforma da Previdência avanças, diz relator

Depois de ter subido pela manhã, reagindo à baixa adesão de deputados da base aliada ao jantar oferecido na quarta-feira pelo presidente Michel Temer para apresentar a nova versão da reforma, o dólar inverteu a tendência e, no meio da tarde, se firmou no campo negativo. A mudança de viés foi atribuída a informações extraoficiais de que a reforma poderia ser votada em dezembro na Câmara, ao contrário das sinalizações recentes de que não haveria tempo nem votos suficientes para a aprovação da pauta. O dólar à vista fechou em queda de 0,19%, a R$ 3,2224.

++ 'Em sete anos, Previdência exigirá ajustes'

O Índice Bovespa operou com sinal negativo durante praticamente todo o pregão e fechou aos 74.486,57 pontos, próximo da estabilidade, em baixa de 0,04%. /EDUARDO LAGUNA, ANDRÉ ÍTALO, NATÁLIA FLACH E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.