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Mercado vê forte desaceleração em 2016

Analistas ouvidos no Boletim Focus, do BC, apontam para inflação de 5,5% no ano que vem, com o centro da meta sendo atingido em 2017

Luiz Guilherme Gerbelli e Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 09h10

O ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central (BC) tem conseguido conter as expectativas inflacionárias de longo prazo. Parte dos analistas espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) volte para o centro da meta (4,5%) a partir 2017.

Para 2016, apesar de os economistas consultados no relatório Focus terem revisado a projeção do IPCA de 5,70% para 5,50% desde o início do ano e a perspectiva seja de desaceleração, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Pereira Awazu da Silva, apontou na semana passada fatores “positivos e menos positivos” que podem explicar a relativa resiliência da inflação em relação à meta de 4,5%. Entre eles, está a inércia inflacionária, que é alta no País.

Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, o fato de a inflação esperada para 2016, 2017 e 2018 ter recuado ou se mantido estável “é sinal de que o mercado está levando a sério a política monetária do Banco Central”.

Estragos. Enquanto há incertezas sobre a tendência do comportamento da inflação no médio e longo prazos, o fato é que uma política de alta de juros em busca de uma inflação menor no futuro provoca estragos na economia real.

“A alta de juro é inócua. A economia já está andando para trás”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústria do Estado de São Paulo. “O aumento da Selic encarece o produto. Há o aumento do custo de capital de giro no processo de produção.” A pesquisa de Intenção de Investimento da Fiesp mostra que 29,7% dos recursos usados pelas empresas neste ano virão de terceiros.

A combinação da alta de custo de capital e de insumos, afetados pelo câmbio e tarifas, levou, por exemplo, a fabricante de plásticos MVC a demitir 40% dos funcionários.

Embora a política monetária esteja custando caro para empresas e cidadãos, a pior opção, dizem analistas, seria o BC manter o mesmo tom dos primeiros quatro anos do governo Dilma Rousseff no combate à inflação.

Na avaliação de Heron do Carmo, professor da Faculdade de Economia da USP e um dos maiores especialistas em inflação, se o País não fizesse esse ajuste correria o risco de perder os ganhos obtidos desde a estabilização, proporcionados pelo Plano Real. “Sem o ajuste, correríamos risco de a inflação desgarrar. Já vimos esse filme.”

Para Heron, o País está num baixo-astral econômico há mais de 30 anos, com períodos de crescimento a 4% e outros de 2% e a inflação em níveis altos. “Agora é a oportunidade de fazer um ajuste que coloque a inflação em trajetória de queda, recuando para 3% e, com isso, recuperar a possibilidade de que o País volte a crescer.”

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