Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Mercado vê inflação de 7,59% e recessão de 3,5% da economia brasileira em 2016

Após o IBGE divulgar a queda de 3,8% do PIB em 2015, analistas ouvidos no Relatório Focus pioraram as projeções para o desempenho do País neste ano

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2016 | 09h26

BRASÍLIA - Depois que o IBGE informou uma queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015, o Relatório de Mercado Focus trouxe projeção de retração da atividade de 3,5% este ano. Na edição anterior do documento divulgado pelo Banco Central, a estimativa era de baixa de 3,45% e na de quatro semanas atrás, de recuo de 3,21%. Para 2017, foi mantida a expectativa de recuperação em 0,50% - um mês atrás, a projeção era de crescimento de 0,60% da atividade. 

A produção industrial é o principal setor responsável pelas previsões para o PIB em 2016 e 2017. No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado para o setor manufatureiro revela uma expectativa de baixa de 4,50%, a mesma prevista na semana passada. Para 2017, a previsão mudou de 0,80% para 0,57%. 

Por outro lado, a inflação não deve dar trégua. A mediana das previsões para a inflação de 2016 apresentou alta ao sair de 7,57% para 7,59%. Segue, portanto, distante do teto da meta deste ano de 6,50%. O BC vem reforçando que continua trabalhando para evitar o índice extrapole esse patamar. 

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das expectativas permaneceu em 7,95% de uma semana para outra - um mês antes, estava em 8,13%. 

No caso de 2017, a previsão ficou congelada em 6,00% pela quarta vez, justamente no teto da meta do ano que vem. Essa barreira, no entanto, já havia sido ultrapassada pelo grupo Top 5 de médio prazo. Entre esses analistas, a perspectiva para a taxa foi mantida em 6,50% como na semana anterior. 

As projeções do mercado financeiro para os preços administrados recuaram. Vilões da inflação de 2015, ao subirem 18,07%, a expectativa agora é de que terão alta de 7,40% este ano. No caso de 2017, a mediana das expectativas permaneceu em 5,50% pela 13ª semana consecutiva. 

Juro. Após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a Selic inalterada em 14,25% ao ano pela quinta vez consecutiva, analistas do mercado financeiro praticamente não mexeram em suas projeções para a taxa básica de juros. Para o fim do ano que vem, o Relatório de Mercado Focus mostra que a Selic estará em 12,50%. Já pela quinta semana consecutiva, os economistas mantiveram as estimativas para a Selic em 2016 nos atuais 14,25% ao ano até o encerramento de 2016. 

Dólar. As previsões do setor privado para o câmbio sofreram novas revisões, em meio ao cenário de incertezas internacionais. O Relatório Focus aponta para um dólar no fim deste ano a R$ 4,30 no lugar de R$ 4,35 vista na semana passada. A perspectiva do mercado financeiro para o câmbio de 2017 permaneceu em R$ 4,40 pela sexta semana consecutiva.

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