Mercado vê início da alta da taxa Selic em abril de 2010

O mercado financeiro antecipou de junho para abril a previsão para o início do processo de alta da taxa básica de juros, a Selic, a ser adotada pelo Banco Central no próximo ano. De acordo com pesquisa Focus, divulgada hoje pela autoridade monetária, analistas preveem que esse ciclo começaria com uma elevação de 0,25 ponto porcentual em abril, o que levaria a Selic para 9% ao ano. Nos meses seguintes, o mercado prevê novas altas em junho (0,50 ponto), julho (0,25 ponto), setembro (0,50 ponto), outubro (0,25 ponto) e dezembro (0,25 ponto). Até a semana passada, os agentes do mercado só viam o início do processo de alta da Selic em junho, com aperto inicial de 0,50 ponto porcentual. Atualmente a taxa Selic está em 8,75% ao ano.

FERNANDO NAKAGAWA E CLAUDIO FEUSTEL, Agencia Estado

21 de dezembro de 2009 | 09h15

Com base nessa expectativa, a Selic para o final de 2010 subiria para 10,75% ao ano. Até a semana passada, o prognóstico era de que o juro terminaria em 10,63% no próximo ano. Foi mantida a previsão de que a Selic média em 2010 deve ser de 9,69%, ante 9,45% de um mês atrás.

A pesquisa Focus é um levantamento realizado pelo Banco Central junto a instituições financeiras sobre os principais indicadores da economia brasileira. Para a inflação, o mercado financeiro reduziu um pouco a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2009, de 4,31% para 4,29%. A previsão está dentro da meta de inflação para este ano, que é de 4,50% (com dois pontos porcentuais de margem, para cima ou para baixo). Na mesma pesquisa, a estimativa para o IPCA de 2010 ficou exatamente no centro da meta, que também é de 4,50%.

A estimativa para a inflação de dezembro foi reduzida. Para este mês, a previsão para o IPCA passou de 0,37% para 0,35%. O dado do IPCA de dezembro deve ser divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 13 de janeiro do ano que vem. Para janeiro de 2010, a estimativa de IPCA seguiu em 0,49%.

PIB

A estimativa para o desempenho da economia brasileira em 2009 teve um leve ajuste. A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano passou de uma contração de 0,26% para -0,23%. Para 2010, a previsão para o PIB é de expansão de 5%, ante a alta de 5,03% projetada na semana passada. No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial em 2009 segue com variação negativa, de queda de 7,62%. Para 2010, a projeção para o desempenho da indústria passou de crescimento de 7% para uma alta de 7,11%.

Câmbio e contas externas

Analistas aumentaram a previsão para o patamar do dólar no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2009 subiu de R$ 1,73 para R$ 1,74. Para o fim de 2010, foi mantida a expectativa de que a cotação da moeda norte-americana fique em R$ 1,75. A previsão de câmbio médio no decorrer de 2009 manteve-se em R$ 1,99 e em 2010, R$ 1,73.

O mercado financeiro elevou as previsões para o déficit nas contas externas em 2009. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano subiu para US$ 18,2 bilhões, de US$ 18 bilhões na semana passada. Para 2010, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos subiu de US$ 40 bilhões para US$ 40,35 bilhões.

A previsão de superávit comercial em 2009 ficou em US$ 25 bilhões. Para 2010, a estimativa para o saldo da balança comercial foi mantida em US$ 11,3 bilhões.

Analistas também mantiveram a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2009 em US$ 25 bilhões. Para 2010, a estimativa para o IED é de US$ 35 bilhões.

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