Mercado vê IPCA acima do teto da meta em 2008

O que era uma ameaça agora é umarealidade. Analistas e instituições do mercado financeiro dopaís acreditam que a inflação este ano vai ultrapassar o tetoda meta fixada pelo governo. O resultado disso será uma campanha de afrouxamento do juroem 2009 mais lenta do que o previamente esperado, mostrapesquisa divulgada nesta segunda-feira. Depois de duas semanas coladas em 6,5 por cento, asprojeções de analistas consultados semanalmente pelo BancoCentral para a inflação deste ano romperam o teto da meta,ficando em 6,53 por cento. A meta definida para 2008 é de 4,5 por cento, com margem devariação de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo, oque coloca o teto da meta em 6,5 por cento. Se a variação do Índice Nacional de Preços ao ConsumidorAmplo (IPCA) realmente superar o teto da meta, o presidente doBanco Central é obrigado a encaminhar uma carta pública aoministro da Fazenda explicando as razões pelas quais a inflaçãosaiu do caminho projetado e as ações que o BC pretende tomarpara trazer os preços de volta à meta. Desde que o regime de metas de inflação foi estabelecido nopaís, em 1999, a meta foi descumprida três vezes, em 2001, 2002e 2003. Neste cenário, os analistas reafirmaram as apostas em umaumento da taxa de juro nesta semana. A expectativa é que oComitê de Política Monetária (Copom) do BC eleve a taxa Selicem 0,50 ponto percentual, para 12,75 por cento ao ano, ao finalda reunião de dois dias que será realizada na terça equarta-feiras. Pelos cálculos dos analistas consultados pelo BC, a Selicestará em 14,25 por cento em dezembro. MELHORANDO EM 2009 Para 2009, o cenário traçado para a inflação é maisbenigno, mas a redução da taxa de juro será mais gradual do queo anteriormente projetado. A expectativa do mercado é que o IPCA terá uma alta de 5por cento no próximo ano. No caso do juro, a taxa Selic estaráem 13,75 por cento em dezembro e não mais em 13,50 por centocom projetado no levantamento passado. Isso significa que os analistas apostam que o juro serámantido em patamar elevado por mais tempo, na tentativa detrazer a inflação de volta à meta, que assim como em 2008também é de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos. Para a economia como um todo, as projeções para ocrescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 e 2009 forammantidas em 4,80 por cento e 4 por cento, respectivamente.

RENATO ANDRADE, REUTERS

21 de julho de 2008 | 09h34

Tudo o que sabemos sobre:
BACENPROJECOESATUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.