Mercado vê IPCA cada vez mais próximo do teto da meta

BC eleva para 6,4% a estimativa para a variação da inflação oficial; meta definida pelo governo é de 4,5%

Reuters e Agência Estado,

07 de julho de 2008 | 08h46

O mercado financeiro brasileiro elevou mais uma vez a projeção de inflação para 2008, deixando a estimativa ainda mais próxima ao teto da meta definida pelo governo, mostrou o boletim Focus divulgada nesta segunda-feira, 7. No levantamento semanal feito pelo Banco Central, os analistas consultados elevaram para 6,40%, ante 6,30%, a estimativa para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2008.   Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  Alimentos sobem em dose tripla nos países pobres Confira a evolução da Selic desde o início do governo LulaA meta definida pelo governo é de 4,5%, com margem de variação de 2 pontos percentuais, o que deixa o teto da meta em 6,5%. O próprio Banco Central estima em 25% as chances da inflação superar o teto da meta este ano. Para o próximo ano, a estimativa dos analistas consultados pelo BC para o IPCA também foi elevada, passando de 4,80% para 4,91%. A meta de 2009 é a mesma de 2008. A estimativa para o patamar da taxa de juro ao final do ano foi mantida em 14,25%, bem como a previsão para dezembro de 2009, que ficou em 13,50%. A taxa básica de juro da economia brasileira, a Selic, está atualmente em 12,25%, depois de dois aumentos seguidos de 0,50 ponto percentual estabelecidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC para tentar trazer a inflação de volta à trajetória das metas.     Índices de preço   As estimativas do mercado financeiro para os IGPs continuam em firme trajetória de alta. De acordo com o BC, a mediana das projeções para o IGP-DI em 2008 passou de 11,36% para 11,41%, contra 9,01% de quatro semanas antes. Para o IGP-M, o número aumentou de 11% para 11,25%, ante 8,73% de um mês atrás. Nos dois casos, a pesquisa registrou a 17ª alta consecutiva.   Para o IPC da Fipe em 2008, a mediana subiu de 5,85% para 6,33%. Há quatro semanas, o número estava em 5,50%.   Para 2009, a trajetória também é de elevação. Para o IGP-DI, a estimativa passou de 5,10% para 5,30% e no IGP-M, de 5,03% para 5,24%. Um mês antes, os números eram, respectivamente, 5% e 4,86%. Já para o IPC da Fipe, a expectativa para 2009 manteve-se em 4,50%. PIB A estimativa de crescimento da economia brasileira também não sofreu alteração. O mercado manteve a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 2008 em 4,8% e para 2009, em 4%. Na sexta-feira da semana passada, 4, o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que assumirá a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em substituição a Bernard Appy, afirmou que o crescimento econômico do Brasil em 2009 deverá ser de 4,5%, refletindo os choques externos na economia mundial e as medidas adotadas pelo governo para combater a inflação.   Antes disso, tanto Barbosa quanto os demais integrantes do Ministério da Fazenda falavam de crescimento de 4,5% a 5% para 2009, sendo o limite superior a projeção oficial do governo.   Contas externas Em relação à balança comercial brasileira, o mercado reduziu a projeção de superávit comercial no ano, de US$ 23 bilhões para US$ 22,81 bilhões. Com isso, a estimativa é de que a conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior) encerre o ano deficitária em US$ 23,57 bilhões, ante previsão de US$ 23 bilhões. Para 2009, as previsões também pioraram. O mercado espera que a balança comercial encerre o ano que vem com um superávit de US$ 15 bilhões, de US$ 15,21 bilhões, e fique com a conta corrente deficitária em US$ 32,50 bilhões, ante US$ 31,9 bilhões previstos na semana passada. Investimentos A previsão para o Investimento Estrangeiro Direito (IED) em 2008 também piorou e caiu para US$ 33,5 bilhões, de US$ 34 bilhões previstos. Para 2009, o número se manteve em US$ 30 bilhões. var keywords = "";

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