André Dusek/Estadão
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Mercado vê juro abaixo de dois dígitos somente no fim de 2020

Segundo Boletim Focus, do Banco Central, naquele ano a taxa Selic se encerrará em 9,5%; até lá, juro deve se manter acima de 10%

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 10h27

O País deve passar por um longo período de juro elevado. A taxa Selic abaixo de dois dígitos novamente só será vista no encerramento de 2020, como revela o primeiro levantamento do Banco Central com o mercado financeiro para a data. Segundo o Relatório de Mercado Focus, com a estimativa do mercado para as principais variáveis da economia, a taxa básica de juros encerrará aquele ano em 9,50% ao ano.

Até lá, no entanto, um longo caminho será percorrido. Após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano manter a Selic inalterada em 14,25% ao ano, mas com dois votos dissidentes de alta (0,50 pp), o mercado financeiro elevou a estimativa da taxa Selic em 2016 de 13,75% ao ano para 14,13% ao ano, o que revela uma divisão dos participantes da Focus entre um patamar de 14% e 14,25% aa. 

Para 2017, não houve alteração do ponto central do levantamento: ficou estacionado em 11,50% ao ano, como estava desde o dia 20 de novembro. 

Para 2018 e 2019, as medianas também ficaram imóveis. Para 2018, seguiu em 10,50% ao ano, nível visto desde o dia 9 de novembro. No caso de 2019, a taxa foi mantida em 10% ao ano. 

Ano que vem. A possibilidade de a taxa básica de juros ser mantida no atual patamar de 14,25% ao ano ao longo de todo 2016 cresceu ainda mais. Pelo levantamento, a Selic só terá condições de cair no último mês do ano que vem. Mesmo assim, há uma dúvida explícita entre os participantes da pesquisa.

A previsão é de uma taxa de 14,25% ao ano em praticamente todos os meses. Na semana passada, se esperava que o Copom reduzisse a Selic em outubro de 2016. Agora, uma redução é aguardada apenas para dezembro. Nesse mês, a mediana está em 14,13%, o que denota uma falta de consenso entre mais um mês de estabilidade ou queda para 14% aa. 

A abertura mensal das estimativas se estende até junho de 2017 agora - até o levantamento da semana passada, ia até abril. O ano se tornou mais importante depois que o BC informou que será apenas em 2017 que terá condições de levar a inflação para o centro da meta de 4,50%. Para janeiro, a mediana das previsões subiu de 13,00% para 13,25% aa. No caso de fevereiro, o ponto central da pesquisa foi mantido em 13,00% ao ano, assim como para março, que teve a mediana das previsões estacionada em 12,75% aa. 

Para abril, a taxa subiu de 12,50% aa da semana passada para 12,75% aa agora. Esse patamar, segundo os participantes da Focus, será mantido em maio e junho. Como o BC ainda não divulgou o calendário de reuniões do Copom de 2017, as estimativas são apresentadas para todos os meses correntes. 

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