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Mercado vê juro caindo a 11,25% em dezembro--Focus

A expectativa de expansão econômica fraca e inflação sob controle deve abrir caminho para cortes mais acentuados da taxa básica de juro no país, mostrou pesquisa divulgada nesta segunda-feira. De acordo com levantamento feito pelo Banco Central, com analistas e empresas, as projeções indicam que o início do processo de flexibilização da política de juro deve começar nesta semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza sua primeira reunião de 2009. A reunião acontece logo depois do Ministério do Trabalho ter divulgado que o país fechou mais de 650 mil postos de trabalho formal em dezembro, no pior mês para o emprego desde maio de 1999. De acordo com a pesquisa, o primeiro corte do juro deve ser de 0,50 ponto percentual, o que colocará a Selic em 13,25 por cento ao ano. Mas a corrente de analistas que aposta em um corte mais forte nesta semana, de 0,75 ponto percentual, não é pequena. Pesquisa feita pela Reuters na semana passada mostrou que dos 27 economistas consultados, 14 esperam um corte de 0,50 ponto e 12 veem uma redução de 0,75 ponto. No mercado futuro de juros os contratos com vencimento em fevereiro de 2009 --que embutem a futura decisão do Copom-- apontavam nesta segunda-feira para um corte de 0,75 ponto percentual da Selic. A reunião de dois dias do Comitê acontece na terça e quarta-feiras. O resultado do encontro deve ser divulgado após o fechamento dos mercados. Atualmente a Selic está em 13,75 por cento. Ao longo do ano, o processo de redução da taxa deve se acentuar, levando a Selic para 11,25 por cento em dezembro. Na pesquisa anterior, as projeções apontavam para uma Selic de 11,75 por cento em dezembro. A flexibilização do juro deve continuar em 2010, quando a taxa deve encerrar o ano em 11,0 por cento, 0,25 ponto percentual abaixo da estimativa anterior. INFLAÇÃO SOB CONTROLE A queda da taxa de juro acontece ao mesmo tempo em que analistas e empresários apostam em crescimento mais moderado da economia brasileira, somado a uma inflação sob controle. Para 2009, as projeções continuam indicando um crescimento de 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas a inflação deve ficar em 4,80 por cento, levemente abaixo dos 5 por cento estimados na pesquisa anterior. Já para 2010, a expansão econômica deve ser de 3,90 por cento --ante 3,80 por cento na pesquisa passada-- e a inflação deve ficar no centro da meta fixada pelo governo, de 4,50 por cento. O economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, considera improvável que o índice oficial de inflação do país feche 2009 dentro da meta de 4,5 por cento. "A inflação média do ano passado foi mais elevada e haverá um carregamento para esse ano que vai dificultar o cumprimento da meta", disse Braz em entrevista à Reuters. Em 2008, o IPCA fechou com alta de 5,9 por cento, ante um centro da meta de 4,5 por cento, a mesma definida para os anos de 2009 e 2010. "Não podemos esquecer que mesmo com a crise, que reduz a demanda, o lado agrícola não está imune a imprevistos como choques externos. Se houver algum choque fica ainda mais complicado voltar à meta", acrescentou o economista da FGV. (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

RENATO ANDRADE, REUTERS

19 de janeiro de 2009 | 16h52

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