Alex Wong/AFP
Alex Wong/AFP

Mercado vê manutenção de alta da Bolsa em dezembro após sinais animadores da economia global

Vitória de Joe Biden nos EUA, chance de vacina contra a covid-19 e estímulos econômicos mundiais devem manter o apetite por ativos de risco até o final do ano

Felipe Laurence, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2020 | 09h00

Após a Bolsa brasileira acumular uma valorização de 15,90% no mês de novembro, puxada principalmente pela eleição do democrata Joe Biden como presidente dos Estados Unidos e os avanços nas pesquisas envolvendo uma vacina viável contra a covid-19, alguns dos principais bancos e casas de investimentos apostam em uma continuidade neste movimento em dezembro e indicam, nas carteiras de ações recomendadas, papéis que mais se beneficiariam deste cenário.

"Sinais encorajadores da economia global, com a vacinação contra a covid-19 provavelmente começando neste mês, baixas taxas de juros ao redor do mundo e medidas de estímulo adicionais (principalmente nos Estados Unidos) devem manter o apetite em altos níveis", escrevem os analistas Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG Pactual. A empresa adicionou Suzano à sua carteira recomendada, apontando que ela está bem posicionada para refletir a melhora nos preços da celulose mundial.

Na mesma linha, a XP Investimentos trocou Marfrig ON por Petrobrás PN em suas recomendações, apontando a "assimetria de risco-retorno", além da esperança de uma volta ao normal que favorece o movimento das ações ligadas a commodities, o que é o caso da petrolífera e da Vale, outra de suas ações preferidas. "Qualquer recuperação de preços de petróleo como resultado do desenvolvimento de vacinas para a covid-19 apenas tornaria ainda mais positiva nossa visão sobre as ações", comenta o estrategista chefe Fernando Ferreira.

Já a Eleven Financial manteve sua carteira inalterada, chamando atenção para o forte fluxo de investimentos estrangeiros no mês passado, esperando que isso se mantenha pela primeira quinzena de dezembro, antes da diminuição de liquidez com as festas de fim de ano. "A porta de entrada para este volume de recursos são as blue chips, empresas com maior valor de mercado. Não à toa, os setores de óleo e gás, siderurgia e mineração, além do financeiro, foram os grandes destaques no mês de novembro", fala o estrategista chefe Adeodato Netto.

Além da expectativa com a continuidade do fluxo estrangeiro para mercados estrangeiros, as casas de investimento também apostam no reaquecimento da economia brasileira, favorecendo setores como infraestrutura e varejo. O BB Investimentos, ao incluir BRF, Centauro, EcoRodovias e Magazine Luiza, fala neste sentido. "Em termos econômicos, tanto no Brasil como em outras grandes economias mundiais, a percepção é que a taxa de juros se manterá baixa por um período prolongado e que a inflação permanecerá sob controle, incrementando investimentos em renda variável."

O Banco Safra aposta em movimentos pontuais, aumentando sua exposição ao Itaú Unibanco, com os bancos ainda muito descontados em relação ao Ibovespa e também com a perspectiva da cisão da XP Investimentos, o que deve gerar um bom retorno ao acionista da instituição. Os estrategistas Luis F. Azevedo, Cauê Pinheiro e Silvio Doria alertam também para o risco fiscal, que ainda é incerto, e o passo de aprovação das reformas propostas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Apesar da proximidade da vacina, a Guide Investimentos também adota uma postura mais cautelosa e espera um cenário de elevada volatilidade no mercado acionário, por conta do aumento de casos de covid-19 no mundo, mas que setores relacionados à "tese de reabertura", pressionados, devem se beneficiar.

"Um grande ponto de atenção será a segunda onda de contaminação por coronavírus ao redor do globo, podendo levar a volta de medidas mais restritas de isolamento, e as festas de final de ano que devem movimentar o setor de varejo e transportes", fala o analista Luis Sales.

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