André Dusek/Estadão
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Mercado vê manutenção do juro na reunião do Copom desta 4ª feira e queda da taxa em 2016

Pesquisa com 73 analistas mostra que todos acreditam que a taxa Selic permanecerá em 14,25% na reunião do Copom; já para 2016, a maioria dos especialistas acredita na queda do juro, pois a atividade fraca pode afetar com mais intensidade a inflação

Francisco Carlos de Assis e Maria Regina Silva, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 16h48

SÃO PAULO - Certos de que o mergulho do Produto Interno Bruto (PIB) empurrará a inflação mais para perto do centro da meta em 2016, os 73 analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, serviço de estimativas da Agência Estado, afirmaram que a taxa Selic permanecerá em 14,25% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começou hoje e se encerra nesta quarta-feira, 22, após o fehcamento do mercado. A taxa deve estacionar neste patamar até o fim do ano. Quando perguntados sobre como esperam a Selic para o fim de 2015, apenas dois dos profissionais consultados acreditam que o colegiado vai elevar a taxa de juros na última reunião do ano. 

O maior aumento na reunião do fim de 2015, de 0,50 ponto porcentual, é esperado por Luis Fernando Horta, chefe do Departamento de Economia da Kinea Investimentos. A previsão dele está atrelada à crença de que o Banco Central (BC) terá de elevar os juros ainda neste ano para conter a pressão inflacionária decorrente do nível de câmbio em R$ 4. "Na Focus, as estimativas para o IPCA estão acima de 6,50%", disse. Na pesquisa do BC, as instituições que mais acertam as projeções já veem o IPCA em 2016 em 6,72%, conforme o levantamento do dia 13 deste mês.

Já para 2016, a maioria dos especialistas acredita na queda do juro, pois a atividade fraca pode afetar com mais intensidade a inflação no ano que vem. De um total de 65 instituições participantes, 47 acreditam que a taxa de juros fechará 2016 com queda entre 11% e 13,75% ao ano. Já 17 casas estimam que a Selic ficará inalterada em 14,25%, enquanto uma espera elevação dos juros para 16%.

Pressão inflacionária. Outro que prevê aumento do juro nominal até o fim do ano é o superintendente de câmbio da SLW Corretora, João Paulo de Gracia Corrêa. Ele trabalha com a Selic encerrando 2015 em 14,50% ao ano. Para ele, o BC deverá elevar a Selic na última reunião do ano para conter o aumento da inflação no começo do próximo ano, período em que há registros de aumentos de preços de alimentos, gastos com educação e aumento impostos.

Horta, da Kinea, por sua vez, avalia que o rebaixamento do rating de BBB para BBB- e a manutenção da perspectiva negativa para a economia não deve mover o BC a elevar a taxa de juros no fim do ano. "Acho que não. Nem que tivesse perdido o investment grade. Expectativas de inflação na Focus acima de 6,5% para a reunião de novembro é que deve levar o BC a subir juros", reforçou.

No entendimento do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, o BC deve manter a Selic em 14,25% até parte de 2016, pois acredita que a taxa neste nível poderá fazer com que as expectativas de inflação desacelerem, levando o IPCA para 4,50% no fim do ano que vem. "A convergência das expectativas é que vai ser um sinal de mudança na condução da política monetária", disse.

De certa forma, Camargo Rosa acredita que o BC não está mais olhando tanto para a inflação de 2016, mas para a de 2017. Conforme ele, no ano que vem ainda haverá algum realinhamento dos preços administrados que tende a afetar a inflação daquele período. Se a CPMF voltar, disse, a pressão deve ser ainda maior. "Aí, fica difícil buscar 4,50%", afirmou.

O diretor de Pesquisas Macroeconômicos do Bradesco, Octavio de Barros, também acha que não há razão para o BC elevar juros por causa do rebaixamento do rating do Brasil. "Nenhuma razão para mudanças. A Fitch estava totalmente no preço", disse.

2016. Para o economista-chefe da ModalMais, Álvaro Bandeira, a inflação pode começar a desacelerar e permitir um recuo da taxa básica no ano que vem, com os juros podendo fechar em 12,75%. "Com a atividade mais fraca, a inflação pode passar a pressionar menos e o BC ceder um pouco", estimou.

Embora faça parte da corrente que estime queda dos juros em 2016, o economista Alexandre Andrade, da GO Associados, admite que a crise política vem colocando mais incerteza e diminuindo a probabilidade de aperto monetário. "Por um lado, acredito que o BC não irá subir os juros, mas como as expectativas de inflação estão piorando, inclusive no cenário do Banco Central, pode ser que a Selic fique no atual nível de 14,25%", disse, ao fazer referência ao Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro.


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