Iporanga Ventures
Iporanga Ventures

Mercado vê novos investimentos mesmo com aumento dos juros

Expectativa para 2022 é de crescimento no ritmo deste ano e de entrada de novos investidores

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2021 | 20h45

O novo ciclo de alta da Selic não tem preocupado os gestores de investimento em startups. Para eles, quem investe nesse mercado está olhando o longo prazo e não vai deixar de aplicar nesses ativos para ir para renda fixa. “É um caminho sem volta. O Nubank jogou a barra para cima. Muita gente ganhou dinheiro e isso retroalimenta o ecossistema”, diz o sócio da gestora Iporanga Renato Valente. 

Na avaliação dele, nunca foi tão bom empreender. Neste ano, a empresa investiu em dez startups e planeja a captação de um novo fundo no primeiro trimestre do ano que vem. Apesar do aumento dos juros, ele acredita que a liquidez no mercado vai continuar. 

Atualmente, um terço da carteira da Iporanga está alocado em fintechs e alguma coisa em educação. Para 2022, diz Valente, a gestora continuará de olho nas startups de finanças. “Com o avanço do open banking e do Pix, muitas oportunidades vão surgir. Mas também vamos analisar startups voltadas para criptomoedas e para o agronegócio, um mercado que ainda não despontou, apesar do potencial.”

Na Astella Investimentos, o sócio Daniel Chalfon também não acredita numa mudança de tendência agora por causa da alta dos juros. Ele destaca que a queda anterior da Selic teve um efeito positivo, que foi trazer investidores que não conheciam esse mercado. “São profissionais que colocam recursos em ativos no longo prazo e não estão procurando renda fixa.”

O ano de 2021, diz o executivo, rendeu uma boa liquidez para o fundo, com a venda da RD Station para a Totvs – a gestora tinha uma participação na empresa. A Astella já captou quatro fundos e tem investimento ativo em 27 companhias. No ano que vem, afirma Chalfon, é possível que uma nova carteira seja montada. “2022 começa com uma perspectiva muito boa, depois de um ano em que todas as métricas bateram recordes.”

O cofundador e presidente do Distrito, Gustavo Araujo, diz que o mercado está crescendo em todas as dimensões, seja em investimentos ou em número de fundos e de novas startups. Segundo ele, a partir de agora o segmento vai começar a conhecer uma segunda onda de fundos de venture capital, que são aqueles mais especializados em algumas áreas, como educação, finanças e varejo. Boa parte desse capital ainda virá do exterior, mas o mercado brasileiro está mudando, com mais investidores conhecendo esse segmento. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.