Mercado vê 'parada técnica' da Selic

A possível parada técnica do Banco Central (BC), com manutenção da taxa de juros em 13,75% ao ano, se tornou em poucas semanas uma espécie de consenso entre economistas dentro e fora do governo. Até a última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), os economistas do mercado vinham claramente defendendo a elevação da taxa de juros para conter a demanda agregada e as pressões inflacionárias, mas a crise de liquidez que se instalou no País nas últimas semanas alterou completamente a situação e as opiniões. "A inflação é importante, mas talvez não seja o problema emergencial em lugar nenhum do mundo e não deve ser aqui no Brasil. No cenário de crise, a inflação deixa de ser uma questão emergencial, e a própria dinâmica dos preços vai ser afetada pelo desdobramento da crise no Brasil", diz o economista Flávio Castelo Branco, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). "O movimento de alta (da Selic) visava a conter a inflação por meio da influência na demanda, no crédito e nas expectativas. Mas essa crise já fez esse serviço", completa o economista José Roberto Mendonça de Barros. No mercado financeiro, inúmeros porta-vozes passaram a adotar nas últimas semanas posições ou apostas de que a taxa de juros será mantida inalterada, como já defendiam alguns diretores do BC na última reunião do Copom. O economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, é uma exceção. "Ainda não vejo o ciclo de aperto de juros se encerrando", disse na semana passada. Dois temores ainda pesam na avaliação dos analistas de mercado que são contra uma interrupção no aumento dos juros: o de que a desvalorização cambial pressione os preços para cima, mesmo em ambiente de desaceleração econômica, e o de que o BC não tenha mais forças para retomar o movimento de alta, se necessário, durante o governo Lula. No momento, entretanto, mesmo os defensores da queda da taxa de juros são reticentes em avaliar a eficácia de uma medida dessas. Essa alternativa chegou a ser cogitada nas discussões da equipe econômica como forma de desestimular os bancos a se refugiarem em títulos públicos. Nas últimas semanas, o governo liberou o dinheiro do compulsório retido no Banco Central, mas os bancos resistem em pôr o dinheiro em circulação, preferindo comprar títulos.

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