Mercado vê Petrobrás mais lucrativa

Passada a surpresa com o lucro do 1.º trimestre, especialistas projetam resultados maiores após a alta dos combustíveis

Nicola Pamplona e Tatiana Freitas, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2008 | 00h00

O reajuste nos preços da gasolina e do diesel deve garantir à Petrobrás uma receita de cerca de R$ 2 bilhões por trimestre, suficiente para reverter o prejuízo obtido no primeiro trimestre nas atividades de refino. O mau desempenho do segmento, que teve prejuízo de R$ 566 milhões, foi um dos destaques dos relatórios de bancos de investimento divulgados ontem. Um dia após o anúncio do lucro de R$ 6,92 bilhões, as ações preferenciais da estatal subiram 2,62% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A área de abastecimento teve o pior desempenho no trimestre, saindo de um lucro de R$ 2,1 bilhões para prejuízo por causa da defasagem nos preços internos da gasolina e do diesel. "Ficou evidente no resultado o impacto da política de não repasse das altas da commodity aos preços do diesel e da gasolina na venda ao consumidor final", disse, em relatório, o analista da corretora Brascan Felipe Cunha. Os reajustes foram promovidos só no dia 1º de maio. Para o UBS, o resultado negativo da área teria sido menor caso os reajustes tivessem sido promovidos mais cedo. Em evento com analistas ontem em São Paulo, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, reforçou que a empresa não repassa a volatilidade nos preços. "Na visão de longo prazo da Petrobrás, houve uma compensação. Se você olhar no dia-a-dia, pode ser um pouco diferente, mas corrigimos a média dos últimos anos com esse reajuste. Estamos na média do mercado internacional", afirmou.Barbassa lembrou que a Petrobrás supre a demanda da maioria dos derivados de petróleo no mercado interno e, por isso, não pode aplicar reajustes de acordo com o vaivém da commodity no mercado externo. "Preservamos o mercado interno não transferindo a volatilidade dos preços internacionais e não perdemos a rentabilidade por isso. Às vezes vendemos a um preço defasado, às vezes, acima do mercado externo."Embora não tenha zerado a defasagem, os reajustes do início de maio podem melhorar significativamente o desempenho da companhia, afirmam os analistas. A Ativa Corretora calcula em R$ 2 bilhões a receita adicional com os novos preços da gasolina e do diesel. Segundo a Ativa, as perspectivas para os próximos trimestres são de aumento no nível de rentabilidade.Os relatórios ressaltaram a surpresa com os números da companhia. A média das projeções dos analistas apontava para lucro na casa de R$ 5,5 bilhões. Como ponto positivo, os analistas apontaram a redução de custos da companhia, que vinham em trajetória crescente e despontavam como maior fator de preocupação no mercado.

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