Mercado vê Selic maior e inflação acima da meta central e 2008

A dois dias da decisão do Comitê dePolítica Monetária, o mercado elevou mais uma vez suasprevisões para o juro básico no encerramento deste ano e para ainflação. O aumento das previsões, contido no relatório Focus destasegunda-feira, ocorreu após o Índice Nacional de Preços aoConsumidor Amplo (IPCA) ultrapassar o teto das estimativas emmarço. Com isso, o prognóstico para o IPCA deste ano passou de4,50 para 4,66 por cento --superando o centro da metaperseguida pelo Banco Central-- e a estimativa para a Selic foirevista de 12,50 para 12,75 por cento. A previsão das instituições classificadas como Top 5 (asque mais acertam) é ainda mais pessimista: 4,79 por cento deinflação no ano e Selic a 13,0 por cento, frente ao atualpatamar de 11,25 por cento. "Depois do Relatório (de Inflação), da ata, do IPCA, todomundo consolidou esse cenário de aumento de juros e inflaçãomais alta", afirmou Sergio Vale, economista da MB Associados. "O mercado vê que o BC está de fato preocupado com ademanda e com alguns setores, como automóveis, que estão bempressionados. E os preços de alimentação são um risco concreto.Ou seja, para onde você olha a inflação continua sendo ummotivo importante de preocupação." A estimativa para a inflação em 2009 --segundo a medianadas quase 100 instituições consultadas-- também aumentou, de4,30 para 4,40 por cento, mas para a Selic foi mantida em 11,25por cento. Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora,acredita que as expectativas já estejam chegando ao limite. "Acho que já é o teto. A Selic deve ter aumento naquarta-feira e acredito que o Copom promova mais uns três ouquatro aumentos ao longo de 2008, além de sinalizar na reuniãode quarta-feira que vai controlar a inflação", afirmou. "Outroponto é os alimentos, que devem ceder ao longo do ano. Tudoisso deve acalmar as expectativas." O Copom anuncia sua decisão na quarta-feira após ofechamento do mercado. A previsão contida no Focus é deelevação da Selic em 0,25 ponto percentual. INFLAÇÃO NO CURTO PRAZO Por enquanto, os alimentos devem continuar pressionando osdados de inflação que serão divulgados na semana. A previsão, segundo a mediana de cinco analistas ouvidospela Reuters, é de alta de 0,70 por cento para o Índice dePreços ao Consumidor Semanal (IPC-S) na segunda leitura deabril, que sai na quarta-feira, ante avanço de 0,64 por centona primeira. Para o IPC da Fipe, na sexta-feira, o prognóstico é de 0,46por cento na segunda quadrissemana do mês, frente a 0,38 porcento na primeira. No mesmo dia, o IGP-10 deve mostrar alta de0,63 por cento em abril, ante 0,61 por cento em março. (Por Vanessa Stelzer e Cláudia Pires)

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