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MercadoLivre quer se reinventar para tablets e smartphones

Surgido antes do estouro da bolha da internet, site é um dos poucos da América Latina a ter aberto o capital nos EUA

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Abertura. Parceiros poderão desenvolver aplicativos - Foto: Evelson de Freitas/AE  

 

O argentino Marcos Galperin, de 39 anos, é um sobrevivente da internet. Em 1999, ele criou o MercadoLibre (MercadoLivre, no Brasil) para se tornar um site de leilões para a América Latina. Na época, muita gente tentava o mesmo. "Houve um momento em que tínhamos 42 concorrentes diretos", diz Galperin, que visitou o Brasil há duas semanas, para inaugurar uma nova sede em Alphaville (SP).

Todos tinham o sonho de abrir o capital na bolsa eletrônica Nasdaq, nos Estados Unidos. O MercadoLivre foi o único que conseguiu e ainda está aí para contar a história. Outras empresas surgidas na Argentina - como o site financeiro Patagon e o portal El Sitio - tinham planos para a América Latina, mas não existem mais. O portal StarMedia, fundado pelo uruguaio Fernando Espuelas, chegou a abrir o capital na Nasdaq, mas quebrou.

O MercadoLivre, por outro lado, conseguiu sobreviver ao estouro da bolha, que aconteceu um ano depois de sua criação, abriu o capital em 2007 e é uma empresa rentável, em crescimento. Em 2010, lucrou US$ 56 milhões sobre um faturamento de US$ 216,7 milhões. Hoje, os leilões são responsáveis por menos de 5% dos negócios fechados no MercadoLivre, que se tornou uma plataforma de comércio eletrônico para pessoas físicas e pequenas empresas.

O grande desafio hoje para o MercadoLivre, cujo principal acionista (com 18,4%) é o site americano de leilões eBay, é se adaptar a esse novo cenário de aplicativos para celulares inteligentes e tablets.

"Estamos terminando um processo, que começou há um ano e meio, de mudar completamente nossa tecnologia", diz Galperin. "Os resultados desse trabalho estão começando a ir ao ar. Estamos convertendo o MercadoLivre numa tecnologia aberta. Qualquer um poderá fazer uma aplicação para o iPhone, o BlackBerry ou o Android."

Oportunidade. Galperin teve a ideia de criar o MercadoLivre quando terminava seu MBA na Universidade Stanford, no Vale do Silício. "Eu estava um pouco deprimido por ter de voltar à América Latina. Não poderia fazer muitas das coisas que fazia na internet de lá", diz Galperin. "Por exemplo, antes de voltar, vendi meu carro pela internet, em 1999. Isso não era possível na América Latina e vi que era uma oportunidade."

Um professor de Stanford, Jack McDonald, bem relacionado na comunidade de investidores, conseguiu que Galperin levasse até o aeroporto John Muse, um dos fundadores do fundo Hicks, Muse, Tate & Furst, depois de uma palestra na universidade. "No caminho, contei meus planos e ele disse que gostaria de investir. Tinha comprado passagens para a Europa com a minha namorada, mas cancelei."

Hoje, Galperin disse que, na América Latina, sente falta do conteúdo digital, como filmes e programas de televisão, disponível nos EUA. "O MercadoLivre pode abrir espaço para conteúdo digital", aposta.

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