Mercados: abertura dos negócios menos tensa

O mercado financeiro deve operar nesta quinta-feira menos tenso, pelo menos na início dos negócios, com a Bolsa em alta e juros e dólar em ligeira queda. A valorização dos títulos da dívida brasileira mais negociados, C-Bond, e a queda do risco País colaboram para esta abertura melhor dos negócios. Sem fatos novos negativos e sem boatos de pesquisas, o mercado está conseguindo respirar mais aliviado, no entanto continua vulnerável.Há pouco, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,4860, em queda de 0,80% em relação ao fechamento de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro, com vencimento em janeiro, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagam taxas de 18,830% ao ano frente aos 19,960% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) está em alta de 1,83% e os C-Bonds, em alta de 0,74%. O risco País recuava 0,65% para 915 pontos, taxa ainda elevada se comparada aos 700 pontos registrados em março.O mercado parece tentar superar a fase de estresses com pesquisas eleitorais. A alta forte do pré-candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, registrada pelo Datafolha e Vox Populi, não assustou os investidores e o mercado tende a não reagir se novas pesquisas apenas repetirem estes números. "O mercado só vai reagir agora se Lula subir ainda mais e passar a ameaçar vencer no primeiro turno e se Serra for definitivamente ultrapassado no segundo lugar", comentou um analista ouvido pela AE.O mercado também vive o rescaldo da reação positiva às medidas do governo para evitar déficit fiscal e compensar o atraso da votação da emenda que prorroga a CPMF. Ontem, saiu mais uma medida, em que o governo facilita o pagamento de impostos pelos fundos de pensão.Outro destaque é a sinalização dada pelo diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, em entrevista a imprensa, de que o BC pode estar preparando o terreno para um corte da taxa de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 21 e 22 de maio.Ilan disse que a desaceleração da atividade econômica em março "não foi apenas um ponto fora curva". Segundo ele, desde fevereiro já havia sinais de desaceleração, mas destacando que a redução do nível de atividade "não é um desastre". "O que Goldfajn deu a entender é que há, apesar do nervosismo dos últimos dias, argumentos que justificariam um corte de juro", observa um operador. Fica assim a dúvida sobre quais argumentos pesarão mais na decisão do Copom.

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