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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mercados aceitam intervenção: até quando?

Ontem o Banco Central (BC) voltou a intervir no mercado vendendo dólares. As cotações seguiram em queda, também estimuladas pelo alto patamar da Selic ? taxa básica referencial de juros da economia ? atualmente em 18,25% ao ano. Alguns investidores aproveitam o momento de estabilidade para aplicar em títulos, dados os juros altos num cenário de risco menor, ao passo que outros compram a moeda norte-americana enquanto dura a queda, temendo que o real volte a se desvalorizar mais à frente.Os principais fatores de instabilidade do cenário são de longo prazo. As incertezas referem-se à crise energética, à frágil situação econômica da Argentina e ao ritmo da desaceleração econômica mundial. Esses três fatores, por razões diversas, implicam saída maior ou entrada menor de dólares em uma conjuntura mais pessimista. O Banco Central, porém, vê na forte depreciação do real no ano uma outra razão: especulação financeira. Conforme o quadro foi se deteriorando, os investidores foram se assustando, comprando dólares para garantir seus recursos. A conseqüência foram altas ainda mais acentuadas, em um ciclo vicioso. O esforço do governo é em quebrar essa espiral de modo a controlar o câmbio, que já afeta a inflação. Para tanto, foram tomadas medidas de captação de recursos no exterior da ordem de US$ 10 bilhões. O que ainda não se sabe é o que acontecerá quando a munição acabar: se o dólar permanece estável ou volta a subir.Eventos importantes na semanaAmanhã o Fed ? Banco Central norte-americano ? reúne-se para decidir sobre a taxa básica de juros, atualmente em 4% ao ano. Se o corte que o mercado espera realmente vier, haverá mais subsídios para a retomada do crescimento econômico, o que é uma boa notícia, mesmo que a medida demore alguns meses para surtir efeito.Na Argentina, ainda hoje será realizado o leilão de títulos do governo, que será um teste importante da confiança dos investidores no país. O próprio governo admite as dificuldades econômicas, e poucos acreditam que será cumprido o ambicioso programa de metas fiscais com o Fundo Monetário Internacional (FMI), mesmo com o pacote de estímulo à retomada do crescimento divulgado há pouco mais de uma semana.

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