Mercados acomodam-se e buscam o rumo

A semana que se encerra hoje trouxe uma série de definições importantes para os mercados. Na terça-feira, o governo comemorou o sucesso do leilão da de licitação da banda D de telefonia celular. Também foi quando Alan Greenspan, presidente do FED - o banco central dos EUA -, discursou no Senado norte-americano, anunciando que a pior fase da desaceleração pode já ter passado. Quarta-feira, foi a vez do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar a manutenção da Selic, a taxa básica referencial da economia, em 15,25% ao ano. Também foi a data da disputadíssima eleição para as Presidências da Câmara e do Senado. Ontem os mercados reagiram, conforme esperado, elevando ligeiramente as taxas de juros futuras. Apesar de considerarem a possibilidade de manutenção da Selic, os investidores haviam apostado numa queda de 0,25 pontos porcentuais, o que exigiu uma correção nas taxas. O movimento ainda pode continuar hoje, em função das expectativas quanto ao ritmo de queda dos juros. A justificativa dada pelo Copom, de que a economia brasileira vem crescendo mais aceleradamente do que se pensava, podendo gerar inflação, preocupou o mercado. Se a restrição à queda de juros fosse apenas externa, uma melhora no cenário externo - já esperada, aliás - daria o impulso esperado. Mas se os cortes já estão provocando pressão nos preços no limite das metas de inflação, nas atuais circunstâncias internas, não há muito espaço para que eles continuem ocorrendo no curto prazo. Mesmo assim, as previsões de queda nos juros - muitos analistas apostam em um patamar de cerca de 14% ao ano para a Selic até o final do ano - e crescimento econômico em torno de 4,5% continuam. E, de qualquer maneira, pesa a favor do otimismo a melhora nas expectativas em relação às perspectivas de recessão na economia dos Estados Unidos. Greenspan avaliou que o pior já pode ter passado e, apesar de uma taxa de crescimento relativamente pequena esse ano, a recuperação pode já estar em curso. Ainda influencia, na Bolsa de Valores de São Paulo, no curto prazo, o vencimento dos contratos de opções amanhã em Nova York, onde são negociados recibos de ações de grandes empresas brasileiras (ADRs), e segunda-feira em São Paulo. Mas uma possível preocupação maior no curto prazo com o cenário interno - que vinha sendo alimentando otimismo dos investidores - pode tornar os investidores mais cautelosos.

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