Mercados afundam no pessimismo

Os mercados continuam cada vez mais pessimistas. As cotações dos negócios hoje seriam impensáveis a poucos meses atrás, com nova disparada do dólar para a máxima de R$ 3,89 e queda recorde da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), chegando ao nível mais baixo desde a crise que acompanhou a desvalorização do real em 1999.O Banco Central bem que interveio no mercado, como nos dias anteriores, mas o vencimento de títulos cambiais na terça-feira com rolagem parcial dos papéis trouxe muita tensão ao mercado. A cotação que corrige esses contratos, além dos contratos de câmbio futuro com vencimento no dia 1o de outubro. Nesses últimos meses do ano, será grande o volume de vencimentos de títulos cambiais. As ocorrências também serão freqüentes, o que pode manter os mercados sob pressão. É que o governo foi renovando os contratos que iam vencendo com prazos dentro do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, pois os investidores resistiam em aceitar papéis mais longos. O próximo, o maior do ano, será no dia 17, chegando a US$ 3,62 bilhões.A solidez da liderança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL) nas pesquisas eleitorais leva os investidores a trabalharem com a hipótese de vitória do PT como mais provável, mesmo porque os demais candidatos não têm mostrado avanços relevantes. Como há desconfianças sobre a política econômica que Lula adotaria na Presidência, há muita procura por aplicações mais seguras, especialmente o dólar.Mas analistas dizem que ainda há espaço para mais pessimismo. É que ainda não se pode prever com alguma segurança se a vitória ocorrerá no primeiro turno. Além disso, se houver um segundo turno, há a possibilidade, ainda que menos provável, de vitória de José Serra (PSDB/PMDB), o candidato favorito dos mercados. Certamente a última semana antes das eleições trará oscilações e nervosismo.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,8750 nos últimos negócios do dia, em alta de 3,06% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,8100 e R$ 3,8900. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 67,31% no ano e 23,68% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,000% ao ano, frente a 21,570% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 26,850% ao ano, frente a 25,750% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 5,26% em 8715 pontos e volume de negócios fraco, de R$ 664 milhões. Com o resultado de hoje, a Bolsa acumula uma baixa de 35,81% em 2002 e 15,97% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, três apresentaram altas. O principal destaque foram os papéis da Globocabo PN (preferenciais, sem direito a voto), com desvalorização de 10,00%. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 3,70% (a 7701,4 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 1,84% (a 1199,16 pontos). Às 18h, o euro era negociado a US$ 0,9809; uma alta de 0,38%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em alta de 0,21% (393,57 pontos). O dólar oficial para venda fechou a $ 3,68 pesos.Veja ainda hoje o resumo dos principais eventos do mercado financeiro nessa semana e a perspectiva dos mercados na próxima. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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