Mercados aguardam Copom atentos à Argentina

Começa hoje a reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, atualmente em 19% ao ano. A maioria dos analistas aposta em manutenção dos juros neste patamar, dado que os índice de inflação registraram forte pressão de alta no mês de outubro. Para se ter uma idéia, o Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é usado como referência para as metas de inflação, registrou uma alta de 0,83% no mês de outubro e, no acumulado do ano, apresenta uma alta de 6,22%. A meta de inflação para 2001 ano é de 4%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Com o resultado de outubro, o limite máximo da meta, de 6%, já foi superado, o que, segundo os analista, justificaria o conservadorismo do BC neste momento mantendo a taxa de juros no patamar atual.Por outro lado, com a queda do dólar e do preço do barril do petróleo no mercado internacional, alguns analistas começaram a acreditar que o BC poderá reduzir a taxa nesta reunião de novembro, e não apenas em dezembro, como já esperam muitos economistas. Isso porque dólar em patamares mais baixos e o preço do petróleo em queda reduzem a pressão de alta sobre os índices de inflação. Quem defende uma postura mais conservadora do BC acredita que há muitas incertezas no cenário que podem provocar uma nova alta do dólar em relação ao real. A situação argentina é uma destas incertezas. Porém, nos últimos dias, os mercados no Brasil não têm sido influenciados pelo agravamento da crise no país vizinho. Exemplo disso é a disparada da taxa de risco da Argentina, que atingiu 2.987 pontos-base ontem, enquanto a taxa no Brasil recuou e ficou abaixo dos 1.000 pontos-base.A Argentina continua esperando a adesão dos grandes investidores - bancos e fundos de pensão - para a operação de troca de títulos com juros anuais entre 11% e 14% por papéis com taxas de 7% ao ano. A operação envolve US$ 60 bilhões e 79 tipos de títulos da dívida global da Argentina.Os investidores continuam muito céticos em relação aos rumos da economia argentina. A situação de default - leia-se calote - da dívida já é dada como uma realidade hoje no país vizinho, que já não possui recursos para pagar as contas que vencem ainda neste mês. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já avisou que não pretende adiantar a parcela de recursos prevista para dezembro, de US$ 1,260 bilhão. Mas o governo argentino insiste. Ontem, o presidente Fernando De la Rúa anunciou que uma missão do FMI chegará à Argentina na próxima segunda-feira e poderá decidir pela liberação antecipada dos recursos. Mercado interno tem boas notíciasSe há notícias negativas que podem voltar a pressionar para cima as cotações do dólar, há também as positivas, que justificam a expectativa de analistas que esperam por um mercado cambial mais estável no próximo ano. Exemplo disso é o resultado da pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com um grupo de 70 instituições financeiras e empresas de consultoria.Segundo apuração do editor Gustavo Freire, a pesquisa revelou que os analistas esperam que, no próximo ano, os investimentos diretos no País sejam de US$ 15 bilhões e o superávit - exportações maiores que importações - alcance US$ 4,9 bilhões, o que segundo o estudo, seria quase suficiente para cobrir uma necessidade de financiamento em torno de US$ 20,5 bilhões no próximo ano (veja mais informações no link abaixo).Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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