Mercados aguardam novidades da Argentina

O desfecho da crise argentina, que durante meses apavorou os investidores no Brasil, está sendo visto como uma solução para o cenário de incertezas. Segundo analistas, a indefinição é pior do que qualquer tipo de ruptura. No Brasil, os mercados mantêm a tranqüilidade. Às 15h15, o dólar comercial estava cotado a R$ 2,3220 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,96% em relação aos últimos negócios de ontem. No mercado de juros, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 20,148% ao ano, frente a 19,860% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com queda de 1,89% Para esta tranqüilidade, contribuiu o respaldo do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Brasil em qualquer eventualidade. O Fundo informou nesta manhã que o País poderá usar uma linha maior de recursos para se proteger de um possível contágio, se houver necessidade. Embora a expectativa seja de que o Brasil consiga superar rapidamente o impacto negativo das turbulências argentinas, nos próximos dias os mercados podem apresentar alguma instabilidade. Na Argentina, o presidente Fernando De la Rúa reúne-se logo mais na Casa Rosada com governadores e líderes partidários para discutir a crise social e tentar chegar a um acordo em torno da governabilidade. Os analistas acreditam que a melhora dos fundamentos econômicos brasileiros foi essencial para o descolamento da Argentina. Para o próximo ano, o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, desenhou um cenário promissor para o País ao comentar o resultado das contas do Tesouro Nacional. Ele projeta para o ano que vem uma taxa de inflação de 3,7%, inferior às estimativas do mercado, que estavam ao redor de 5%. Em relação à balança comercial, o BC também espera um superávit na balança comercial de US$ 5 bilhões em 2002. Apesar de todo esse otimismo, o BC preferiu ser cauteloso mantendo inalterada a Selic, a taxa básica de juro, como já era amplamente esperado. Se o ambiente continuar favorável, o mercado acredita que a taxa Selic volte a cair em janeiro ou fevereiro. Esse otimismo demonstrado pelo BC, no entanto, esbarra na delicada situação da economia norte-americana, que ainda não dá sinais de recuperação (veja mais informações no link abaixo).

Agencia Estado,

20 Dezembro 2001 | 15h14

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