Mercados ainda confusos e pessimistas

Ontem os mercados tiveram mais um dia de fortes oscilações, com as atenções voltadas para os resultados de empresas norte-americanas, a evolução da economia argentina e as cotações do dólar, especialmente com vistas ao impacto nos índices de inflação. Por enquanto, os sinais têm sido confusos de todos os lados e o cenário continua muito instável, o que mantém a cautela dos investidores.As empresas nos Estados Unidos continuam divulgando resultados nessa virada de trimestre, o que tradicionalmente provoca instabilidade nas bolsas. Mas o saldo tem sido negativo, com várias projeções abaixo das expectativas. A desaceleração da economia do país continua e, embora técnicos do governo afastem a possibilidade de uma recessão, as chances de crescimento negativo só aumentaram desde o início do ano. O quadro econômico instável e os balanços decepcionantes das empresas estão derrubando as ações em Wall Street.Hoje o Departamento do Trabalho dos EUA divulga o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana até 31 de março. A previsão média de sete economistas ouvidos em pesquisa Dow Jones é de 375 mil pedidos - 13 mil a mais do que na semana anterior. O número é mais um indicador do ritmo do desaquecimento do País.Também na Argentina, apesar da boa aceitação de Domingo Cavallo no Ministério da Economia, os investidores estão conscientes das enormes dificuldades do país, há 33 meses em recessão e incapaz de cumprir as metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dada a necessidade extra de mais recursos, anunciada na segunda-feira, o mercado comenta que o ministro estaria negociando créditos entre US$ 2 bilhões e US$ 2,8 bilhões com bancos estrangeiros presentes no país, conforme apurou a editora Silvana Rocha.Brasil sente o pessimismo por meio do dólarNo Brasil, foi divulgado o índice de inflação da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que ainda não captou o impacto da alta do dólar, provocado pela instabilidade internacional. Investidores estrangeiros retiram recursos do Brasil e os próprios investidores brasileiros procuram o dólar para proteger seus recursos. Espera-se que as elevadas cotações da moeda norte-americana comecem a pressionar os preços a partir de maio, o que pode forçar o governo a aumentar as taxas de juros ainda mais no futuro. O dólar atingiu na terça-feira a cotação mais alta desde a criação do real, mantendo-se ontem muito próximo a esse patamar. As altas têm sido contínuas, refletindo a instabilidade internacional. Por enquanto, dado que não se espera soluções rápidas para os problemas nos Estados Unidos e Argentina, o dólar deve manter-se elevado. E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vem perdendo recursos continuamente. O saldo de março foi negativo em R$ 515 milhões, segundo apuração da editora Aline Zampieri.

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