Mercados animados com declarações de Fraga

Os bons sinais para os mercados brasileiros vieram de Nova York, mas não exatamente das bolsas de valores. O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, que se encontrou com autoridades do governo norte-americano e de organismos internacionais recebeu várias declarações claras de apoio, e chegou a afirmar que existe a possibilidade real de um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para avalizar a transição para o novo governo, desde que os principais candidatos assumam certos compromissos.A notícia agradou muito aos investidores, que temem uma ruptura na política econômica do atual governo no caso de vitória de um dos candidatos oposicionistas. Fraga também confirmou que se encontrará com uma das figuras centrais da equipe econômica do PT, o candidato ao Senado por São Paulo Aloízio Mercadante, quando regressar ao Brasil.Além disso, o mercado vê com menos medo a candidatura de Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, que apareceu bastante na mídia e cresceu muito nas últimas pesquisas de opinião. Muitas lideranças do PFL, que haviam rompido com o PSDB e seu candidato, José Serra, estão engrossando as fileiras de Ciro. Eles receberam ofertas de cargos, e o mercado interpreta essa adesão como uma certa garantia de moderação, já que o PFL praticamente incorpora a direita no País.Apesar da cautela, dólar, juros e risco país despencaram, e a Bolsa de Valores de São Paulo subiu. Ainda é cedo demais para festejar, mas há uma luz no fim do túnel, desde que ficou maior a possibilidade de uma transição mais suave e dentro de regras que agradem os mercados. O dólar comercial foi vendido a R$ 2,7940 nos últimos negócios do dia, em queda de 2,00%. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 22,750% ao ano, inalteradas em relação a quarta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,38% em 10.806 pontos e volume de negócios de 491 milhões.Já nos mercados internacionais, o ambiente é de crise, embora o pânico pareça ter passado. No final da tarde, as bolsas em Nova York se recuperaram um pouco. Porém, na Ásia, Europa e Estados Unidos, as baixas foram significativas ao longo do dia e muitas bolsas estão operando nos níveis mais baixos em cinco anos, como Londres e Nasdaq, superando o pessimismo dos dias que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro do ano passado.As economias mundiais estão funcionando em ritmo muito lento, e a crise de confiança do investidor nas bolsas continua crescendo. Várias dentre as maiores companhias do mundo estão sob investigação por fraude contábil, e o preço das ações despenca. Quem aplicou nesses papéis com base nas informações disponíveis, perdeu muito dinheiro, e o movimento de saída do mercado acionário é forte. Tudo piorou com a investigação aberta contra o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, e com as denúncias de que o próprio presidente George W. Bush recebeu dois empréstimos da empresa da qual era diretor, prática que condenou no seu discurso de terça-feira.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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