Mercados ansiosos pela decisão do Copom

Para quem esperava um fim de ano de poucos negócios e pessimismo, dezembro trouxe muitas surpresas. Na semana anterior ao Natal os investidores estão em plena atividade, ansiosos pelo resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).O clima é de otimismo, e a expectativa é que a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 16,5% ao ano, seja reduzida para 16% anuais.A Selic é o patamar que o governo define como meta para os seus leilões de títulos, sinalizando o valor e a tendência de todas as demais taxas de juros. Quando a economia vai bem, com inflação baixa e ambiente tranqüilo para os investidores, as taxas são reduzidas, estimulando os financiamentos e empréstimos. Com isso, o crescimento econômico se acelera. Mas se o governo precisa tomar mais dinheiro emprestado para cobrir seu déficit ou se há pressões inflacionárias, as taxas de juros podem subir para desacelerar a economia e reduzir os riscos de aumento da inflação.Até novembro, apesar da boa saúde da economia brasileira, o cenário internacional trazia muitas incertezas. Os preços do petróleo estavam em disparada, o governo argentino parecia estar próximo de não ter recursos para honrar seus compromissos em 2001 e até a Turquia teve uma crise financeira que afugentou os investidores internacionais dos países emergentes. As empresas norte-americanas começaram a divulgar balanços com lucros decepcionantes. Todos esses fatores, por motivos diferentes, culminavam no mesmo resultado para o Brasil: fuga de investimentos em dólar.Cenário internacional sofreu reversão em dezembro, favorecendo o BrasilPorém, no início do mês, o presidente do FED - banco central norte-americano -, Alan Greenspan, declarou que a política de elevação dos juros, em vigor desde junho de 1999, já havia surtido o efeito desejado, ou seja, desacelerar a economia dos Estados Unidos. Temia-se que o crescimento acelerado fosse artificial, e pudesse acabar em uma forte recessão. Mas os claros sinais de desaquecimento, segundo Greenspan, abrem caminho para uma queda nas taxas. De fato, na reunião mensal concluída ontem, o FED determinou tendência declinante dos juros, mesmo que ainda não tenha reduzido as taxas. Concomitantemente caíram significativamente os preços do petróleo. O movimento de queda continua e os negócios com o petróleo bruto do tipo Brent para entrega em janeiro estiveram em torno de US$ 26 nos últimos dias, muito abaixo do patamar em torno de US$ 33 do final de novembro. Além disso, a Argentina negociou um pacote multilateral de ajuda financeira liderado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de quase US$ 40 bilhões, afastando o risco de calote.Mercado julga que há folga para redução dos jurosCom isso, o mercado acredita que há espaço suficiente para um corte na Selic. Desconsiderando-se as variações do cenário externo no segundo semestre, a maioria dos analistas considera que os juros pudessem estar entre 14% e 15% ao ano. Isso porque todas as metas do governo para o ano, com exceção da balança comercial, foram cumpridas com folga. A economia cresce sem inflação, o que propicia um ambiente bastante favorável. Aliás, a tendência de queda da inflação por si só já justificaria uma redução na Selic, sem que os juros reais sejam afetados.O consenso do mercado é que haverá uma redução, a maioria apostando em um corte de meio ponto porcentual da Selic. Alguns esperam uma queda ainda maior, de um ponto porcentual. De qualquer forma, os mercados acreditam em uma tendência duradoura de redução nos juros e vêm operando com tranqüilidade e otimismo. Se a redução for dos atuais 16,5% para 16%, o efeito nos mercados não deve ser grande nas cotações, pois essa expectativa já está embutida nos preços dos ativos. Mas se for maior, pode haver alguma euforia, animando ainda mais o fim de ano dos investidores. O resultado da reunião deve ser divulgado no final da tarde. Até lá, os mercados devem ficar parados, esperando para conferir o saldo das apostas.

Agencia Estado,

20 de dezembro de 2000 | 08h41

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