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Mercados: Argentina terá prova de fogo

O pacote de medidas para reativar a economia argentina anunciado pelo governo no final de semana em Buenos Aires terão sua prova de fogo hoje, já que ontem foi feriado nacional. De qualquer modo, já foi muito mal recebido em outros mercados, especialmente no Brasil. Aqui, o dólar disparou e o Banco Central (BC) fez várias intervenções, mas com sucesso limitado. Depois de atingir a cotação máxima de R$ 2,4750, o comercial para venda fechou em novo recorde histórico: R$ 2,4520. Os demais mercados também reagiram com pessimismo.A principal medida do pacote, a flexibilização cambial para o comércio internacional, traz um risco muito grande. Desde 1991, a maior certeza na economia argentina é que o peso tem a cotação fixa em US$ 1, e a paridade com o dólar foi a principal arma para deter a hiperinflação. Teme-se uma corrida aos bancos de cidadãos preocupados em comprar dólares à taxa atual antes de uma desvalorização geral. Também os investidores podem tentar liqüidar seus ativos em pesos. Dependendo do comportamento de pessoas e empresas, o governo pode ser incapaz de controlar a situação, como o que aconteceu no Brasil em 1999. O que é mais grave no caso da Argentina é que uma desvalorização geral da moeda seria muito prejudicial às empresas, que têm cerca de 70% de suas dívidas denominadas em dólares, e principalmente ao governo, com 90% da dívida na moeda norte-americana. Além disso, o câmbio acumula dez anos sem variações, o que significa uma necessidade de correção muito grande, para alguns analistas, de até 80%. Ou seja, se houver pânico, o resultado será desastroso.Pacote argentino enfrenta muitos outros obstáculosO governo já havia decidido pela inclusão do euro numa cesta de moedas a ser criada apenas quando a moeda européia atingir a paridade com o dólar. Agora, a decisão foi antecipada para o comércio externo. Importadores e exportadores trabalharão com um peso desvalorizado, atualmente, em cerca de 8%. Analistas ouvidos pela Agência Estado mostraram-se céticos quanto à eficiência do sistema de câmbio duplo, mesmo que tudo dê certo. Também consideraram as demais medidas fracas para tirar a economia da depressão, sobretudo ao considerar as ambiciosas metas definidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em reunião com investidores em Nova York, o chefe de assessores do Ministério da Economia da Argentina, Guillermo Mondino, mesmo que garantindo a manutenção do câmbio atrelado ao dólar, admitiu as fraquezas do plano e ainda anunciou que a arrecadação tributária nos meses de julho e agosto será fraca. Ele explicou que as medidas que o mercado pede - redução de gastos públicos, reforma previdenciária e trabalhista, entre outros - são impraticáveis do ponto de vista político e que a economia não está crescendo como se esperava. Além disso, existe um mecanismo de redução da tarifa de importação válido para países de fora do Mercosul para compensar o valor mais alto do novo "dólar comercial". Na prática, a Argentina não respeitará mais a Tarifa Externa Comum (TEC), e o novo câmbio valerá apenas para os países do bloco regional. Com isso, as decisões do governo argentino ganham uma nova dimensão do ponto de vista da política externa. Incertezas são grandes quanto à SelicAmanhã encerra-se a reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom). Os próximos dias, e hoje em especial, devem ser críticos para a Argentina. Logo, ninguém arrisca um palpite para o novo valor da Selic, a taxa básica de juros da economia. O certo é que subirá. O mercado já considerava que a própria crise energética desse subsídios para uma elevação da taxa, mas a volta do risco iminente de um colapso econômico argentino solidifica essa percepção. Também esperam-se novas intervenções do BC no câmbio, mas, novamente, tudo depende da repercussão da reação dos argentinos no mercado.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

19 de junho de 2001 | 08h28

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