Mercados: Argentina volta a preocupar

Depois de uma relativa calma ontem em relação à situação econômica na Argentina, as preocupações em relação ao país vizinho voltaram a inquietar os investidores, derrubando a Bolsa de Valores de São Paulo e puxando as cotações do dólar e dos juros. Como muitos fundos de investimentos internacionais formam carteiras compostas por papéis de vários países emergentes reunidos, más notícias em um podem afetar os investimentos estrangeiros nos demais. As carteiras de América Latina têm recebido boas notícias do México e do Brasil, mas a Argentina está preocupando os investidores. A Bovespa, que tem cerca de 20% do seu volume controlado por capitais estrangeiros, fechou em queda de 2,20%.Apesar disso, houve boas notícias. O banco Morgan Stanley, com volume de recursos expressivo na América Latina, aumentou o peso do Brasil, que passou o México, de 36,8% para 39,9% no seu índice de fundos para a região. E analistas acreditam que a agência de avaliação de risco de investimentos Standard & Poor´s deve elevar o rating (classificação) do Brasil até outubro. A agência Moody´s anunciou ontem que já está avaliando a possibilidade de elevar o rating brasileiro.As bolsas nos Estados Unidos também não ajudaram. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova Iorque - fechou em queda de 0,08%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova Iorque - fechou em queda de 0,27%. O petróleo tipo Brent para entrega em setembro continua em alta, fechando em US$ 32,53 o barril.Prévias de inflação surpreenderamMas, parecem ter prevalecido as más notícias, entre elas a elevação dos índices de inflação divulgados, ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e hoje, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A Segunda prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) de agosto chegou a 2,07% e o Índice de Preços ao Consumidor, referente às quatro semanas anteriores à segunda semana de agosto, ficou em 1,87%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagavam juros de 17,200% ao ano, frente a 16,930 % ao ano ontem.E o dólar prossegue, desde 31 de julho, no seu curso de alta, hoje de 0,39%, fechando em R$ 1,8180. Analistas afirmam que o dólar havia caído muito àquela ocasião por causa dos fluxos de investimentos diretos, e agora estaria retornando a um patamar mais razoável.Juros nos EUA e no Brasil serão definidos semana que vemSemana que vem, saem os resultados das reuniões do Conselho de Política Monetária (Copom), na quarta-feira, que definirá o valor da taxa de juros básica no Brasil, a Selic, e do Fed - banco central norte-americano - que definirá as taxas nos EUA, na terça-feira.. As expectativas dos analistas são de queda de cerca de meio ponto percentual no Brasil e manutenção dos atuais níveis nos Estados Unidos. As duas decisões terão efeito direto sobre o comportamento dos mercados.

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