Mercados: ata do Copom reforça clima de cautela

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje no início do dia, reafirmou o conservadorismo do Banco Central (BC) e a sua forte determinação em perseguir o cumprimento da meta de inflação para o próximo ano, de 3,5% com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais (veja mais informações no link abaixo). Na semana passada, apesar de Copom ter decidido manter a Selic, a taxa referencial de economia, em 19% ao ano, indicando uma postura de cautela, as taxas de juros no mercado interbancário continuaram a recuar e chegaram a ficar muito próximas da taxa Selic nos contratos futuros. A ata do Copom revelou a preocupação do BC com esta tendência: juros mais baixo no mercado estimulam a demanda e podem pressionar os índices de inflação. A questão foi evidenciada aos investidores antes mesmo da divulgação da ata do Copom, com declarações das autoridades monetárias. O resultado é que as taxas de juros no mercado interbancário voltaram a subir e os investidores diminuíram o otimismo. Este movimento repetiu-se hoje no início do dia, com a divulgação da ata. No início desta manhã, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 21,520% ao ano, frente a 21,110% ao ano ontem.De acordo com apuração dos repórteres Renato Andrade e Gustavo Freire, a ata do Copom também apontou as perspectivas em relação ao reajuste dos preços administrados como outro elemento que contribuiu para piorar as expectativas em relação ao comportamento da inflação. O Copom projeta um reajuste de 30% para as tarifas de energia elétrica em 2002 além de uma redução do subsídio ao preço do botijão de gás, o que implica em "aumento de preços", conforme ressaltam os diretores do BC. A ata do Comitê revelou que a perspectiva do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como meta de inflação, para 2002 é de 4%.Cenário internacionalNo mercado de câmbio, as cotações também estão em alta. Às 11h, o dólar comercial era vendido a R$ 2,5070, com alta de 0,97% em relação aos últimos negócios de ontem. A situação argentina vem se agravando, o que é outro fator de preocupação para os mercados. O Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda não decidiu se vai liberar antecipadamente a parcela de recursos de US$ 1,260 bilhão, prevista para dezembro. Sem estes recursos, a Argentina não tem como pagar suas dívidas ainda neste mês. O FMI afirma que um dos pontos determinantes para a liberação destes recursos é a renegociação das dívidas com as províncias. Segundo o acordo firmado com o FMI, a meta do déficit consolidado é de US$ 2,76 bilhões. Isso significa uma redução de 19% em relação ao déficit do ano passado, de US$ 3,209 bilhões. Mas, segundo apurou o correspondente Ariel Palacios, o déficit das províncias disparou acima das previsões e no final do ano pode chegar a US$ 5,087 bilhões.Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a expectativa de juros em patamares elevados e o forte desaquecimento econômico norte-americano evidenciado pelos números divulgados ontem diminuiu em parte o otimismo dos investidores com a recuperação dos negócios na Bovespa. Depois de registrar queda forte ontem, a Bolsa voltou a operar de forma positiva hoje e, há pouco, estava em alta de 0,84%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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