Mercados: atenção com EUA e fatos no Brasil

A ritmo do desaquecimento da economia norte-americana continua sendo monitorado pelos investidores. Internamente, a tendência para os juros, os resultados da balança comercial, o comportamento da inflação e o impacto desses fatores no mercado financeiro são os focos de atenção. Hoje, os investidores voltam a operar nos mercados dos Estados Unidos, depois do feriado de ontem. A expectativa é que o cenário externo mantenha forte influência no rumo dos negócios no Brasil. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,79%. O dólar comercial está cotado a R$ 2,0070 na ponta de venda dos negócios - alta de 0,15% em relação aos últimos negócios de ontem. Já os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começam o dia pagando juros de 16,226% ao ano, frente a 16,240% ao ano registrados ontem. Inflação em quedaAs taxas de juros já se ajustaram à manutenção da taxa básica de juros - Selic - em 15,25% ao ano, decidida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Os analistas estarão atentos à divulgação da ata da reunião do Comitê, na próxima quinta-feira, que deve indicar todos os motivos que justificaram a estabilidade da taxa. Já se espera que o crescimento econômico mais forte seja um desses fatores. De qualquer forma, a inflação vem se mostrando em queda. Ontem, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe-USP) revelou que a inflação caiu de 0,27% na primeira quadrissemana do mês para 0,14% na segunda. O IPC mede a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.Balança comercial: veja as influências nos mercados Apenas a queda da inflação já seria motivo para um ritmo acelerado de corte de juros na economia brasileira, já que as taxas estão bem elevadas. Porém, os resultados negativos da balança comercial comprometem essa tendência. Isso porque a queda dos juros estimula o crescimento econômico que, por sua vez, favorece o volume de importações. O resultado disso é um aumento ainda maior do déficit - importações maiores que exportações - da balança comercial. Dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que a balança comercial brasileira já acumula um déficit de US$ 612 milhões no ano. Para compensar o resultado deficitário da balança comercial, que pode comprometer a estabilidade das contas externas, o governo poderá ter que captar recursos no exterior. Nesse sentido, um ritmo mais acelerado de queda das taxas de juros também é desfavorável, pois o País vai precisar pagar taxas mais altos a fim de atrair capital estrangeiro. Também a cotação do dólar pode permanecer com tendência de alta, já que um volume menor de moeda norte-americana no mercado interno pressiona para cima o preço da dólar.

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