Mercados atentos à Argentina e aos escândalos

Os mercados operaram ontem com bastante cautela. O volume de negócios foi baixo e as cotações sofreram poucas alterações em relação à sexta-feira. O ambiente é de marcha lenta nos mercados, sem muitos motivos para fortes altas ou baixas, entre vários focos de instabilidade. Mas a boa situação da economia brasileira tem amortecido as oscilações.O alívio veio com as boas notícias sobre a balança comercial, que, nos primeiros dias de março, voltou a registrar saldo positivo, agora de US$ 4 milhões, e com a recuperação da credibilidade da Argentina com os investidores. O mercado recebeu bem a nomeação de Ricardo Murphy para o Ministério da Economia, apesar da precariedade da situação econômica da Argentina, que está em recessão há 30 meses, com altas taxas de desemprego e sem cumprir as metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).Mas a evolução das denúncias de todos os lados em Brasília começa a preocupar. Não se trata mais de acusações entre os Senadores Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Cada vez mais, os ataques têm sido direcionados para o governo. O clima continua pesado e crescem as preocupações frente à dificuldade do Presidente Fernando Henrique Cardoso em recompor a sua base. Pior ainda, se as denúncias levarem a investigações e até à sua comprovação. Os efeitos no mercado financeiro seriam desastrosos.Por um lado, a economia norte-americana está muito desaquecida, desestimulando os investimentos. Mas, por outro, o cenário interno positivo, com crescimento econômico, inflação em queda e disciplina nas contas públicas, contribui para a estabilidade, amortecendo as oscilações do exterior. O momento atual é basicamente de cautela, com as atenções voltadas para a evolução dos eventos na Argentina e em Brasília.

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