Mercados atentos ao cenário argentino

Esta semana será crucial para os rumos da economia argentina. Depois de anunciar o pacote econômico na quinta-feira, o oitavo depois que assumiu o governo, o presidente Fernando De la Rúa precisa chegar a um entendimento com os governadores de províncias e, depois disso, em viagem aos Estados Unidos, convencer o governo e investidores norte-americanos de que conseguirá honrar suas dívidas.O pacote trouxe medidas sociais e econômicas para tentar aliviar a situação de recessão que o país vive há aproximadamente três anos (veja mais informações no link abaixo). Quanto à reestruturação da dívida, a proposta do governo argentino é uma operação de troca dos bônus atuais com juros de 11% ao ano por novos com taxas anuais de 7%. A operação resultaria em uma economia de US$ 4 bilhões em 2002.Em entrevista ao correspondente Ariel Palacios, técnicos da Fundação Capital, um dos mais prestigiados centros de estudos econômicos da Argentina, afirmaram que, caso o presidente argentino não consiga um acordo com os governadores das províncias sobre o corte no repasse de recursos e também não consiga o apoio dos investidores internacionais sobre a proposta de reestruturação da dívida, o país vizinho estará novamente "à beira de um precipício".Neste cenário mais negativo, a queda da confiança dos investidores internacionais poderá ser percebida por uma alta na taxa de risco do país, a qual já vem batendo recordes nos últimos dias. Há pouco, esta taxa estava em 2.531 pontos. Outro sinal é a queda nas reservas do país que, entre os dias 25 e 31 de outubro, apresentaram uma média diária de saques de US$ 220 milhões.Mercado financeiro no BrasilO mercado brasileiro vem se mantendo equilibrado, apesar da deterioração da situação econômica da Argentina. Analistas acreditam que pode haver um novo momento de instabilidade nos mercados, caso o país vizinho entre em uma situação de default - leia-se calote da dívida. Mas esta influência deve ser limitada segundo os analistas, já que as condições brasileiras são consideradas mais positivas, principalmente em função da melhora das contas externas. Além disso, o Brasil conta ainda com recursos no total de US$ 10 bilhões provenientes do último pacote acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e acredita-se que, em caso de piora do cenário, diferentemente da Argentina, o Brasil terá condições de levantar recursos novos junto a organismos financeiros internacionais.Às 11h20 dólar comercial está cotado a R$ 2,6450 na ponta de venda dos negócios, com queda de 1,12% em relação aos últimos negócios de sexta-feira. Os contratos de juros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 22,620% ao ano, frente a 23,150% ao ano registrados na sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 1,24%.Fed decide juros amanhãNos Estados Unidos, o Banco Central do país, o Fed, deve reavaliar a taxa de juros amanhã. Atualmente, os juros estão no patamar de 2,5% ao mês e espera-se um corte de 0,25 a 0,50 ponto porcentual (veja mais informações no link abaixo). As bolsas norte-americanas poderão apresentar alguma reação, mas deve ser muito pequena, já que o ritmo da economia do país continua muito fraco, o que preocupa os investidores do mercado de ações e impede uma influência mais forte de um corte nas taxas de juros.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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