Mercados atentos ao cenário argentino

Depois do feriado de ontem, os mercados brasileiros devem ter uma sexta-feira de poucos negócios, mas com possíveis oscilações, principalmente no mercado cambial. Na quarta-feira, após o fechamento dos mercados, o presidente argentino Fernando De la Rúa conseguiu fechar o acordo com os governadores das principais províncias de oposição - Buenos Aires (considerada a mais endividada), Córdoba e Santa Fé. As negociações já se arrastavam há mais de 30 dias e, com o acordo em mãos, De la Rúa terá condições políticas mais favoráveis para implementar medidas econômicas que poderão permitir ao país chegar ao déficit zero com a reestruturação da dívida.Mas, apesar do acordo, os investidores continuam céticos em relação às condições argentinas. Ontem a taxa de risco do país continuou extremamente elevada, em 2.679 pontos-base. Para se ter uma idéia, quando o ministro da Economia Domingo Cavallo assumiu seu posto em março, a taxa de risco estava em 800 pontos-base. Hoje, o ministro da Economia Domingo Cavallo será recebido pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Paulo O´Neill e pedirá respaldo para a operação de reestruturação da dívida pública com os credores internacionais que terá início na segunda-feira e incluirá também a negociação com investidores institucionais que operam no país. Cavallo vai solicitar que o Tesouro norte-americano pressione o Fundo Monetário internacional (FMI) no sentido de antecipar a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhão, que deveria ser entregue no final de dezembro. A Argentina precisa destes recursos com urgência, pois tem dívidas de US$ 1,606 bilhão que vencem ainda este mês, mas não há nenhuma certeza de que consiga a antecipação destes recursos (veja mais informações no link abaixo).FMI reduz projeção de crescimento para EUAPelo calendário islâmico começa nesta sexta-feira o Ramadã, período sagrado para os muçulmanos. Os Estados Unidos já confirmaram que pretendem continuar os ataques ao Afeganistão nos próximos dias e, principalmente, intensificar os combates terrestres com o objetivo de capturar o líder terrorista, Osama Bin Laden, considerado o responsável pelos ataques de 11 de setembro.Enquanto isso, os investidores mantêm-se atentos ao ritmo da atividade econômica norte-americana, que já vinha em desaquecimento antes dos atentados. Este cenário piorou e, com o aumento das incertezas, o índice de confiança do consumidor do país caiu de forma significativa. O Banco Central dos EUA (Fed) vem implementando uma política agressiva de corte de juros com o objetivo de incentivar o consumo no país.Porém, o efeito do corte de juros não é instantâneo e, aliado a isso, a inflação tem recuado com força, o que não permite uma queda na taxa de juros real - juros nominal menos a inflação - da forma pretendida pelo Fed. Hoje será anunciada a inflação ao consumidor referente ao mês de outubro e muitos analistas esperam um resultado negativo, ou seja, deflação. Ontem o FMI revisou a projeção de crescimento para os EUA, incluindo os efeitos dos ataques terroristas ao país. Segundo o documento, espera-se por uma recuperação da economia americana, mas a previsão de crescimento para 2001 caiu dos iniciais 1,3% para 1,1%. Para 2002, a projeção caiu de 2,2% para apenas 0,7%. Trata-se do desempenho mais fraco registrado desde o fim da última recessão, em 1991 (veja mais informações no link abaixo).Petróleo continua em quedaOntem o preço do petróleo voltou a cair no mercado internacional com as declarações do ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, de que seu país não cortará a produção a não ser que a Rússia também o faça. Em Londres, o petróleo tipo Brent para entrega em janeiro caiu para US$ 17,35 o barril, uma perda de 18% em dois dias. Em Nova York, o petróleo tipo leve, fechou o pregão cotado a US$ 17,15, a mais baixa desde junho de 1999. Na quarta-feira, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) havia decidido pelo corte de na produção em 1,5 milhão de barris/dia, que passará a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2002.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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