Mercados atentos ao cenário externo

Os bons fundamentos da economia brasileira têm garantido fortes captações de recursos no exterior. Assim, os mercados não têm sofrido tanto com as incertezas do cenário externo. Amanhã o governo faz um teste importante, com a rolagem antecipada de grande volume de títulos cambiais. Mas as atenções permanecem focadas no cenário externo, especialmente em relação à retomada da economia dos Estados Unidos e à instabilidade em vários países da América do Sul.A grande preocupação dos investidores é com as eleições presidenciais brasileiras. A vitória de um candidato pouco afinado com o atual modelo econômico pode espantar os investidores. Por enquanto, os mercados têm ignorado a situação regional. Outros países também escolherão novos presidentes em 2002, a Colômbia está à beira de uma escalada na guerra civil iniciada em 1964 e a Venezuela enfrenta uma grave crise econômica. Mas o pior mesmo ainda é a crise argentina.Ontem foram registrados protestos violentos em Buenos Aires e nas províncias de Jujuy e Santa Fé. No interior, vários bancos foram depredados. O dólar chegou a ser cotado a P$ 2,05 e o nervosismo continua grande. Para tentar controlar o descontentamento popular, o presidente Eduardo Duhalde determinou que as dívidas ainda não pesificadas à taxa de US$ 1 por peso (em geral, acima de US$ 100 mil) serão convertidas pelo dólar oficial, cotado a P$ 1,40.A medida preocupa muito os investidores, pois implica mais perdas ao sistema bancário, que já estimava prejuízo de até US$ 15 bilhões com a conversão de parte das dívidas respeitando a paridade, enquanto os depósitos em dólar, mesmo que congelados, respeitarão a pesificação pelo câmbio flutuante. A avaliação dos especialistas é que o sistema bancário argentino está por um fio, as perdas são enormes e fala-se até em estatização. Já se diz no mercado que algumas empresas, especialmente do setor financeiro, estão fazendo caixa no Brasil para cobrir as fortes perdas na Argentina.Em Buenos Aires, o governo negocia um acordo de até US$ 15 bilhões com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), e espera concluí-lo em um mês. Mas representantes das instituições criticam o novo câmbio, os depósitos congelados, e esperam um rumo mais claro na economia antes de liberar tantos recursos. Além da terrível situação econômica, a instabilidade política é inédita na história do país, a desvalorização do peso está sendo brutal, e, com depósitos congelados, a população não tem dinheiro.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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