Mercados atentos ao cenário interno e Argentina

O mercado financeiro começa o dia atento ao cenário externo e avaliando a repercussão do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. O fato é que o País passará por eleições presidenciais e o tema da segurança deve pesar na escolha pelo novo presidente da República. O correspondente em Londres, João Caminoto, informa que o crime foi tema de reportagens nas edições de alguns jornais europeus nesta segunda-feira. Segundo o diário britânico Financial Times, "a ampla consternação e indignação" provocada pelo crime poderá atingir os índices de popularidade dos governos estaduais e federais, que têm sido acusados de não serem suficientemente duros diante do crime". O jornal observou que a crescente violência no País já é um dos principais temas da campanha eleitoral, segundo recentes pesquisas de opinião. O jornal espanhol El Mundo lembrou que se trata do segundo prefeito do Partido dos Trabalhadores assassinado em menos de quatro meses. O assassinato de Celso Daniel "comoveu a opinião pública e obrigou o governo do presidente social democrata Fernando Henrique Cardoso a adotar medidas imediatas para a captura dos criminosos."A semana no mercado interno também é marcada pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa amanhã e terá seu resultado divulgado na quarta-feira, após o fechamento dos negócios. A taxa está em 19% ao ano e a maioria dos analistas aposta em manutenção dos juros. A política monetária tem sido guiada pelo cumprimento das metas de inflação. Neste ano, a meta é de 3,5%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Com a pressão de alta verificada sobre estes índices inflacionários no início deste ano, as chances de redução neste mês são consideradas remotas pelos analistas. Hoje será anunciada a segunda prévia do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) referente ao mês de janeiro e o número pode reforçar esta expectativa de manutenção dos juros. Veja mais informações no link abaixo.Cenário externo No cenário internacional, a situação argentina domina a atenção dos investidores. Analistas temem que as instituições financeiras não consigam resistir às medidas econômicas anunciadas pelo governo. O problema é que grande parte do prejuízo com a mudança do regime de paridade cambial ficará na mão dos bancos e há quem diga que isso pode provocar uma saída destas instituições do mercado local.Segundo informações da Dow Jones divulgadas na sexta-feira, a Moody´s Investors Service divulgou um relatório hoje afirmando que a falta de uma política monetária coerente e de uma política bancária, associada à paralisia dos mercados financeiros locais, estão ameaçando a saúde de crédito e o próprio futuro do sistema bancário da Argentina. O documento deixa claro que os bancos argentinos estão insolventes mesmo em um cenário otimista. Isso porque existe uma discrepância entre ativos e passivos provocada pela correção dos depósitos em dólar pela cotação oficial, que não foi acompanhada pela conversão das dívidas, muitas na proporção de U$1 por $1 peso. É importante destacar que um problema de insolvência entre os bancos tem impacto sobre toda a economia, provocando a insolvência também de empresas e, por conseqüência, para a população.Neste cenário, uma ajuda externa é praticamente imprescindível. Segundo apurou a correspondente em Buenos Aires, Marina Guimarães, uma nova missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) desembarca hoje na Argentina para avaliar a política fiscal e as contas públicas. A missão se somará aos técnicos do Departamento Monetário do FMI que se encontram na Argentina estudando propostas para reformar o sistema bancário e ajudar a estabelecer a nova política monetária do país. Além disso, o orçamento do país será tema de discussões, já que disso depende um novo pacote de ajuda negociado pelo presidente Eduardo Duhalde - entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões. Veja mais informações sobre a Argentina no link abaixo.Hoje é feriado nos Estados Unidos - dia de Martin Luther King - e as bolsas de Nova York não vão operar. Empresas norte-americanas têm divulgado seus resultados nos últimos dias e, como os números estão abaixo das expectativas dos investidores, as bolsas têm operado em baixa. Empresas importantes - Alcan Aluminium, Bank of America, Johnson & Johnson, Lucent Technologies, Caterpillar, DuPont e McDonald´s - devem divulgar seus balanços na próxima semana.Veja os números do mercado financeiroNo Brasil, o dólar começou o dia em alta e às 11h12, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 2,3720 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,25% em relação aos últimos negócios de sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com baixa de 0,46%. No mercado de juros futuros, os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano pagam juros de 20,18% ao ano, frente a 20,08% ao ano ontem.Não deixe de ver no link abaixo as perspectivas dos analistas para a semana no mercado financeiro e as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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