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Mercados: BC ataca o câmbio

Ontem o governo surpreendeu os mercados com a forte elevação da Selic - taxa básica referencial da economia -, que passou de 16,75% para 18,25% ao ano por causa das pressões inflacionárias causadas pela alta da moeda norte-americana. Hoje, para completar as medidas de contenção da desvalorização do real, o Banco Central (BC) interveio no mercado vendendo dólares. E deu resultado; o comercial para venda fechou em R$ 2,3810, com queda de 3,56%. Ainda assim, as cotações estão elevadas.A aposta do BC é que os patamares de negociação não refletem a conjuntura econômica, sendo resultado de especulação financeira. Com isso, uma ação pontual de impacto coibiria a artificialidade dos preços e traria as cotações para valores mais baixos. Ou seja, juros altos para atrair investimentos estrangeiros de curto prazo e enxurrada de dólares no mercado. Se estiver correta, a equipe econômica espera estabilizar o câmbio e reduzir os juros rapidamente. Mas a aposta pode dar errado. Se o governo estiver errado e o câmbio estiver refletindo a percepção dos investidores dos riscos do cenário econômico, a ação será inócua e o dólar voltará a subir quando o BC deixar de intervir no mercado. Alguns analistas argumentam que a atitude do governo ignora as incertezas atuais de solução somente no longo prazo: crise energética, instabilidade econômica na Argentina e desaceleração econômica no mundo desenvolvido. Não há unanimidade na questão, e os resultados só ficarão claros nas próximas semanas.Enquanto isso, os investidores se movimentam. Quem acredita numa reversão da especulação irracional como resultado da intervenção do governo está vendendo dólares e títulos cambiais para migrar para a Bolsa ou juros prefixados. Já quem acha que a ação do BC não terá efeito duradouro está aproveitando para comprar dólares ou títulos cambiais mais barato. Fechamento dos mercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,72%. O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3810, com queda de 3,56%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,000% ao ano, frente a 22,500% ao ano ontem. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 1,00%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,64%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,35%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

21 de junho de 2001 | 17h52

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