Mercados cautelosos com cenário político

Os mercados começam a semana em clima de cautela. Na sexta-feira, os investidores já anteciparam o novo posicionamento dos candidatos à sucessão presidencial, com o crescimento de Ciro Gomes (PPS), praticamente empatado com José Serra (PSDB). Os números das pesquisas eleitorais divulgadas no final de semana confirmaram esse cenário e, caso se repitam nas próximas apurações, poderá trazer mais nervosismo para os mercados. Isso porque, para os investidores, a eleição de Serra representaria a opção com menores chances de ruptura do atual modelo econômico. Quanto pior o seu desempenho, maior nervosismo tendem a demonstrar os mercados.Para o Brasil, além de ser um fato ainda relativamente recente, o a eleição direta para presidente provoca instabilidade nos mercados devido ao equilíbrio macroeconômico do País, especialmente por causa do alto grau de endividamento. Dados de junho mostram que a dívida total brasileira é de 56% do Produto Interno Bruto (PIB), considerada uma proporção elevada às atuais taxas de juros.Além disso, o próprio nervosismo dos investidores provoca a alta das taxas de juros e câmbio. Como grande parte da dívida do País é atrelada a esses ativos, a tendência é de que o endividamento do País cresça. Ou seja, sem fatos novos que possam mudar esse quadro, tais fatores negativos - a alta dos juros e do dólar e o endividamento do País - tendem a se suceder de forma muito preocupante para as condições financeiras do País.Às 10h44, o dólar comercial estava cotado a R$ 2,8890 na ponta de venda dos negócios, em alta de 0,24% em relação às últimas operações de sexta-feira. Na abertura do dia, a moeda norte-americana estava em queda de 0,07%, vendida a R$ 2,8800. Com o resultado apurado agora, o dólar acumula uma alta de 24,74% no ano e de 2,45% em julho. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 24,690% ao ano, frente a 24,600% ao ano na sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,79% em 10.606 pontos. Às 9h44, a taxa de risco-país, que mede a confiança dos investidores na capacidade de pagamento da dívida do País, estava em 1.735 pontos base. Isso significa que os títulos brasileiros pagam juros com 17,35 pontos porcentuais acima das taxas norte-americanas. Os C-Bonds - principais títulos da dívida brasileira - são negociados a 58,375 centavos por dólar, frente a 58,813 centavos por dólar na sexta-feira.Mercados internacionaisAs bolsas norte-americanas abriram em baixa. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresenta queda de 0,27% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - cai 0,79%. Mais uma empresa nos Estados Unidos apresenta problemas na apresentação de seu balanço. Trata-se da farmacêutica Merck, cujas ações integram o índice Dow Jones.Segundo apurou a jornalista Patricia Lara junto a órgãos de imprensa internacionais, a Merck contabilizou, nos últimos três anos, US$ 12,4 bilhões em receitas de sua subsidiária Medco Health Solutions que não foram efetivamente recebidas. A Medco administra programas de descontos em remédios para empresas e seguradoras. A Merck, por seu lado, informou que a prática seguiu os padrões contábeis norte-americanos e não interferiu em seu resultado líquido. Na Argentina, o dólar oficial abriu sem alterações em relação ao fechamento da última sexta-feira: 3,54 pesos para venda e 3,46 pesos para compra. O euro opera em alta, sendo negociado a US$ 0,9844.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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