Mercados cautelosos com crise política

A guerra de denúncias entre os Senadores Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães, que também envolvem o Executivo federal, está tomando proporções. Os investidores estão apreensivos e os mercados passaram a adotar uma posição de cautela. Se a crise política não for contornada, há o risco de uma escalada nas denúncias e investigações, paralisando o governo e abalando a base aliada no Congresso. E mesmo do exterior, não há sinais claros de estímulo aos investidores.Nos Estados Unidos, foi divulgado ontem o "livro bege", relatório que serve de base para as decisões de política monetária do FED - banco central norte-americano. O mercado reagiu bem ao relatório, que qualifica o crescimento econômico de fevereiro como "de lento a modesto", sugerindo uma recuperação da economia americana. A próxima reunião para a definição da taxa de juro básica, atualmente em 5,5% ao ano, ocorrerá no dia 20. Talvez esse seja o sinal de virada na desaceleração econômica. Mesmo assim, o otimismo é moderado, pois ainda se esperam mais dados confirmando essa tendência.Além disso, os investidores receberam bem a indicação de Ricardo Murphy para o Ministério da Economia da Argentina, mas a situação financeira do país está longe de ser tranqüila, com uma recessão que se arrasta há 30 meses e não-cumprimento das metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Aparentemente, o país escapou de mais um susto, mas os riscos ainda são altos.Agenda do diaNo campo político brasileiro, o PFL realiza hoje, a partir das 9 horas, a reunião de sua Comissão Executiva Nacional, quando adotará uma posição definitiva em relação à unidade do partido e suas relações com o governo e com o senador Antonio Carlos Magalhães depois do rompimento deste com o presidente Fernando Henrique Cardoso. No lado econômico, será divulgada hoje a primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) referente ao mês de março.Nos Estados Unidos, a expectativa fica por conta da divulgação número de pedidos de auxílio desemprego, referente à semana até 3 março, que será feita pelo Departamento do Trabalho dos EUA, às 10h30 (horário de Brasília). A previsão média de dez economistas ouvidos em pesquisa Dow Jones é de 360 mil pedidos, 12 mil a menos do que na semana anterior. Trata-se de mais um indicador do ritmo do desaquecimento da economia norte-americana.

Agencia Estado,

08 de março de 2001 | 08h41

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