Mercados cautelosos com muitas incertezas

Os mercados começaram o mês de outubro com as mesmas incertezas e perspectivas negativas que vêem dominando os negócios desde o dia 11 de setembro - data dos atentados terroristas aos Estados Unidos. Não há nenhuma certeza do impacto que a retaliação norte-americana provocará sobre o ritmo da atividade econômica mundial, principalmente nos Estados Unidos. O que se sabe é que, para o Brasil, o cenário, pelo menos até o primeiro semestre de 2002, é de forte instabilidade nos mercados.O dólar comercial voltou a subir e, às 14h53, estava cotado a R$ 2,6820 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,41% em relação aos últimos negócios de ontem. Também na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) os investidores estão pessimistas e o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa - opera com baixa de 0,80%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 23,920% ao ano, frente a 23,500% ao ano na sexta-feira.Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em queda de 0,13%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com baixa de 0,95%. Amanhã, o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) vai reavaliar a taxa de juros e a expectativa é que as taxas sejam novamente reduzidas. A maioria dos analistas prevê um corte de 0,5 ponto porcentual - de 3,0% para 2,5% ao ano. Nos próximos dias, também terá início mais uma rodada de divulgação de balanços trimestrais. Se os resultados das empresas ficarem abaixo do esperado pelos investidores, as ações podem cair ainda mais. Incertezas internacionaisA iminência de um contra-ataque norte-americano no Afeganistão nas próximas 48 horas e as suas conseqüências foi outra razão apontada pelos analistas para o pessimismo do mercado no início do quarto e último trimestre do ano. Os sinais de recessão nos EUA vão se acumulando. O índice de atividade de setembro da Associação Nacional dos Gerentes de Compras (NAPM), divulgado esta manhã, continuou mostrando desaceleração. Caiu de 47,0 contra 47,9 em agosto. Apesar de mostrar contração da atividade, o índice veio melhor do que o esperado pelos analistas que era 45,0. A NAPM destacou que os dados de outubro deverão fornecer uma fotografia mais precisa dos efeitos dos atentados do dia 11 na atividade econômica. O mercado aguarda ainda para esta semana o anúncio de corte de impostos com objetivo de reativar a economia.Argentina ainda é preocupaçãoNa Argentina, a previsão é de nova queda na arrecadação fiscal de setembro que será divulgada agora à tarde. Analistas estimam uma perda ao redor de 10%. A recessão no país vizinho está levando as empresas a pedirem concordata ou falência. Só em Buenos Aires, 247 empresas quebraram no mês de setembro, informa a correspondente Marina Guimarães. Esse número é 36,5% superior ao registrado em setembro do ano passado. Outra notícia vinda da Argentina é que a dívida pública cresceu 3,7% no segundo trimestre, para US$ 4,742 bilhões.

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